autor: joão batista pedrosa João Batista Pedrosa é psicólogo e terapeuta sexual, trata das várias disfunções sexuais masculinas e femininas. É especializado no atendimento de homossexuais. Quando começou a atender homossexuais, João Batista Pedrosa procurou apoio de um especialista, mas não conseguiu. Tentou encontrar livros específicos e concluiu que pouco ou nada havia sobre o tema. Então resolveu desbravar este caminho. O objetivo dos homossexuais quando procuram ajuda é viver sem culpa nem vergonha sua sexualidade. Mas não é fácil. Além da auto-aceitação, o princípio de tudo, ainda têm de combater os preconceitos da sociedade. Depois de quatro anos de investigação e 52 atendimentos a homossexuais, decidiu reunir sua experiência no livro ‘Segundo Desejo’. O livro, recomendado aos pais, educadores e profissionais da saúde, pretende, sobretudo, combater uma das principais causas do preconceito contra o homossexual: a falta de conhecimento.
editora: iglu
A obra está dividida em três partes. Na primeira delas são as perguntas mais frequentes dos seus clientes no consultório, na maioria das vezes pais preocupados em como agir com a homossexualidade de seus filhos. Dúvidas sobre como e qual a melhor hora para conversar sobre o assunto, a homofobia e até a atuação de um educador frente à diversidade sexual dentro de sua sala de aula.
A segunda parte é constituída de artigos sobre homossexualidade e homofobia escritos pelo psicólogo a sites e revistas, artigos que tratam da homossexualidade para o público leigo, e para o homossexual serve como um guia de autoconhecimento.
A terceira parte discute a homofobia na sociedade brasileira, e mundial, como forma de coibir as ações dos homossexuais, relegando a presença deles aos guetos específicos longe dos olhos das ‘pessoas de família’.
Em uma entrevista dada para a Revista Sábado de Portugal, João revelou que os clientes que o procuram são os que sofrem por não aceitarem a sua própria homossexualidade. E o seu trabalho como psicólogos é fazer com que deixem de ter problemas com sua orientação sexual, para que sejam felizes, vivendo sem culpa ou vergonha. Com a descoberta da homossexualidade a primeira etapa é a total negação, e o receio da descoberta faz com que muitos homossexuais se envolvam em relacionamentos heterossexuais. A segunda fase é a dissimulação tendo um relacionamento homossexual clandestino, uma ‘vida dupla’ e muito medo da descoberta e da punição. A seguir vem a resignação, em que o indivíduo fica na semiclandestinidade, estabelece uma ligação estável com um parceiro que apresenta a um grupo restrito de amigos. A homossexualidade é reforçada positivamente, mas a sua grande preocupação é não ser descoberto por amigos, familiares e colegas. Evita falar da sua homossexualidade, não nega nem assume publicamente e freqüenta lugares públicos típicos da comunidade homossexual. Por último é a aceitação, revelando publicamente a sua orientação, tendo orgulho de ser homossexual.
Quanto ao preconceito, João aconselha que o homossexual deve combatê-lo e fazer uso das leis que o protegem. Desenvolver o autoconhecimento, amparar-se em grupos, freqüentar lugares homo são boas estratégias de defesa, usadas no processo terapêutico.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
livro: segundo desejo
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
livro: adeus maridos
sub-titulo: mulheres que escolheram mulheres Uma leitura obrigatória para mulheres, como eu, que ficaram em frente a um juiz, ou para aquelas que vestidas de branco e segurando um buquê, em frente a um padre juraram fidelidade e tentaram, como esposas, satisfazer as expectativas dos outros, enquanto para elas o casamento não lhes parecia autêntico. O livro conta histórias de diversas mulheres divorciadas gays, que sabiam serem lésbicas, mas casaram por medo das reações dos familiares ou pelo ostracismo imposto pela sociedade.
autores: deborah abbot e ellen farmer
editora: edições GLS
São relatos de lésbicas de todas as classes sociais e idades que se transformaram ao encontrar e amar outra mulher e lutaram contra a homofobia. Histórias como a da esposa cujo marido queria apenas presenciar a relação entre duas mulheres e descobriu que era ele que não se encaixava em sua vida. Ou sobre um marido violento que ficou com a guarda dos filhos ou de maridos agradáveis dentro de um casamento infeliz, que compreenderam e tornaram-se os maiores aliados. Da mórmon que abandonou o marido quando descobriu que ele havia feito do porão um local de encontro para os seus companheiros nazistas das Nações Arianas. Da dona de casa quarentona que se apaixonou perdidamente por uma garota ou da esposa que decidiu que a honestidade era o exemplo maior ao invés de satisfazer a cultura japonesa. Relatos de várias mulheres que bebiam ou se drogavam para evitar os sentimentos por outra mulher ou a história de uma avó aposentada que enfrentou a família e os filhos e há quinze anos vive com sua companheira. Mulheres que levaram anos e anos para encontrar coragem de se assumirem, e como o divórcio foi doloroso para a maioria delas, que vieram de famílias católicas, cujo único objetivo era servir aos seus maridos e disparar filhos no mundo como balas.
Em algum lugar de nossas vidas, tivemos sentimentos indefinidos ou certezas dos nossos desejos por outra mulher, ao mesmo tempo, que sabíamos do alto preço disso e dos privilégios de um casamento heterossexual. Assustadas, ocultamos nossos sentimentos e negamos a nós mesmas. A força dos castigos sociais era extraordinária e casamos e continuamos casadas até o momento da luz atravessar as trevas para o despertar.
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sábado, 3 de janeiro de 2009
livro: nine...ten...and out!
sub-titulo: the two worlds of emile griffith 'Nine...ten...and out!' é uma importante obra que tira do armário Emile Griffith, um hexacampeão mundial e ícone de um dos esportes mais viris, o boxe. Hoje as coisas não estão tão ruins como em 1962, mas ainda não estão boas. É aplaudida a tolerância em relação aos gays que supostamente se desenvolveu nos últimos anos, mas é uma tolerância fina como um biscoito. Muitos esportistas gays ou bissexuais ainda vivem presos dentro da capa protetora da falsidade, com medo, por boas razões, de se revelarem. A fúria irracional sobre a questão do casamento gay, e a idiota política ‘não pergunte, não fale’ nas forças-armadas americanas, ainda continuam sendo reservatórios de ódio prontos para serem descarregados em homens e mulheres gays que somente gostariam de viver suas vidas livre, aberta e honestamente.
autora: ron ross
Um episódio polêmico marcou o boxe em 24 de março de 1962. Quando Emile Griffith em uma luta televisionada na noite de sábado, disputava pela terceira vez o título mundial dos meio-médios, sua orientação sexual virou problema no ringue. O adversário, o campeão de peso-médio, um lutador cubano chamado Benny 'Kid' Paret o chamou de ‘maricón’ (gay) e apalpou o seu bumbum diante da multidão. Griffith derrubou o adversário que estava indefeso, preso nas cordas no canto do ringue, por nocaute no 12º round. Griffith socou e socou com força a cabeça desprotegida de Paret. Quando o árbitro finalmente afastou Griffith, Paret escorregou lentamente para a lona e o levaram em uma maca, ficou em coma por dez dias antes de morrer. Griffth entrou em depressão e pensou em abandonar o boxe.
Uma luta que nunca deixou de assombrar Emile Griffith. Uma luta trágica e suas conseqüências envolvendo os seus sentimentos sobre sua própria sexualidade, que foi outro tormento que teve que carregar por anos. A luta era a terceira entre os dois, cada um ganhou uma. Durante esse período Paret repetidamente provocava Griffith, que havia sido um designer de chapéu no distrito de roupas de Manhattan e era conhecido por freqüentar clubes gays. Durante as pesagens Paret caçoava de Griffith, e o chamava de ‘maricon', e isso o irritava, cansado das pessoas que o chamavam de ‘veado’. Nascido em 1938 nas Ilhas Virgens Americanas, Griffth foi um dos mais violentos pugilistas de sua época. Foi seis vezes campeão mundial.
Emile Griffith, alguns anos atrás, em uma entrevista a um jornalista do ‘The New York Times’, disse que brigou por toda a vida com sua sexualidade e que sabia ser impossível no começo dos anos 1960 para um atleta em um esporte de ‘macho’ como o boxe dizer: ‘Ah sim, eu sou gay’. 'Eu matei um homem e a maioria das pessoas entendeu e me perdoou. Agora, se dissesse que amava um homem, sei que isso seria imperdoável para muitas pessoas'. Foi assim que Emile, aos 67 anos, com todo o seu cabelo e parte de sua memória perdidos assumiu sua homossexualidade. Ele não queria mais se esconder e confessou que esperava participar da Parada Gay de Nova York daquele ano.
Em 2006, o boxeador foi eleito para a vice-presidência da 'Stonewall Veterans Association', importante associação de defesa dos direitos homossexuais de Nova York. Atualmente, ele sofre de problemas neurológicos decorrentes das seguidas pancadas de sua carreira e tem problemas para se comunicar.
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
homenagem a uma lésbica: alice walker
Alice Malsenior Walker, escritora e feminista sempre foi uma ativista pelos direitos dos negros e das mulheres, destacando-se na luta contra o ‘apartheid’ e contra a mutilação genital feminina em países africanos. De origem africana, filha de agricultores nasceu na Geórgia em 1944, iniciou sua carreira de escritora com ‘Once’, um volume de poesias. Escreveu também o livro ‘De amor de desespero’, uma coletânea de vários contos, uma obra composta pelas vozes de várias mulheres negras do sul dos EUA, mulheres diferentes com seus temores, desafios e sonhos. Mas Alice Walker alcançou fama mundial com ‘The Color Purple’, premiado com o ‘Pulitzer’, e dando origem a um dos mais belos filmes de Steven Spielberg, com a atriz Whoopi Goldberg no papel principal e traduzido no Brasil como ‘A Cor Púrpura’. Em 2006, Alice falou de sua relação amorosa com a cantora Tracy Chapman durante uma entrevista para o ‘The Guardian’. (fonte: 'Celie e Shug, duas mulheres além de seu tempo'
Um dos assuntos recorrentes nos trabalhos de Alice Walker é a insistência em buscar a verdade nas relações entre luta e mudança na dolorosa vida das pessoas negras, motivo de protesto da escritora, principalmente das negras. A forma da narrativa de ‘The Color Purple’, é epistolar, técnica literária que consiste em desenvolver a história principalmente através de cartas, que era o modo de expressão mais utilizado no Oeste. As feministas históricas acreditavam que elas eram as principais fontes de informações objetivas e subjetivas dos fatos da vida diária das mulheres e enfatizavam a opressão das mulheres negras vividas nas suas relações com os homens negros (pais, irmãos, maridos, amantes) e a solidariedade mútua que precisavam ter para se auto-libertarem. Alice aborda o proibido na narrativa em tela, focalizando o incesto e retrata a relação lésbica como natural e livre.
O período histórico retratado é um ano antes de 1920 e depois do final da escravidão nos Estados Unidos, que ocorreu oficialmente em 1865. Na obra, Alice Walker constrói com sensibilidade e talento, sua maior personagem: Celie, uma mulher negra sulista, com apenas 14 anos, quase analfabeta, que vive em uma realidade dura de pobreza, opressão e desamor e que escreve cartas para Deus, única forma de manter a sanidade e de expressar seus sentimentos e observações sobre a vida. Celie não era considerada como pessoa, mas sim tratada como objeto. O padrasto, que a violentou, e o marido acabaram com sua auto-estima, relembrando-a sempre que era apenas uma pobre e feia mulher negra, nada mais que isso. Cellie representa todas as mulheres que vivem na sombra de maridos dominadores. É uma alma cheia de anseios e sentimentos que luta com suas armas sutis para manter a sua dignidade.
Os homens são opressores brutais, inimigos. Shug Avery, uma sensual cantora de blues e Celie se apaixonam. Desde que aprende a amar a si mesma, ama os outros e Celie descobre a sexualidade através da relação lésbica com Shug Avery e parte com ela para Memphis, libertando-se da escravidão e abusos que o marido lhe infligia. Para Celie, essa relação é a única escolha e inicia uma vida nova e constrói sua identidade como ser humano, como mulher. O amor por outra mulher abre um espaço para a realização pessoal e sexual da mulher no qual a identificação com outro ser igual possibilita a auto-integração do sujeito feminino.
por Sônia Maria Zanetti Thomaz)
A canção ‘Miss Celie's Blues’ é o grande e enternecedor tema, na voz poderosa de Tata Vega, excelente cantora de blues. ‘Miss Celie's Blues’ é a confissão do amor de uma mulher por outra.
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sábado, 22 de novembro de 2008
livro: invenções de si em histórias de amor
sub-titulo: lota & bishop Lota Macedo Soares morava em Nova York em 1942 com sua companheira Mary Morse. Fazia cursos no Museu de Arte Contemporânea e dali extraía idéias para serem aplicadas no Brasil. Nesse período conheceu Elizabeth Bishop, uma poetisa muito tímida, que sonhava conhecer o sul da América. Em 1951 Bishop veio ao Rio, Lota levou-a para conhecer a casa que estava sendo construída em Samambaia, Petrópolis. O encantamento inicial pela natureza se intensificou com a declaração do amor de Lota e os cuidados dos brasileiros com sua saúde, após uma crise alérgica provocada pela mordida em um indigesto caju. O romance entre Lota e Bishop também é contado no livro ‘Flores raras e banalíssimas’ da autora Carmen L. Oliveira postado aqui, sobre Lota e Bishop, quem foram e como viveram aqui. A autora Nádia Nogueira é mestre e doutora em História pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) e pesquisa as mulheres que amam mulheres no Brasil. ‘Invenções de si em histórias de amor: Lota & Bishop’, tese de doutorado, além de falar destas duas talentosas mulheres, seus silêncios, estratégias de vida e sonhos, abrange em sua pesquisa as outras lésbicas. Nádia foi instigada a escrever sobre este universo esquecido e proscrito, pelo professor James Green, prefaciador do livro e pesquisador que também se dedica a investigar os gays masculinos no Brasil. ‘Invenções de si em histórias de amor’ além de relatar como Lota e Bishop, de 1951 e 1967, construíram uma relação de amor marcada por uma constante ‘reinvenção de si’, através do cuidado consigo mesmas e com a outra, resgata o silêncio histórico a que estiveram submetidas as relações homoeróticas femininas. Lota e Bishop não foram às únicas a criarem tais laços afetivos e sexuais, outras mulheres construíram espaços alternativos de encontros no Rio de Janeiro nos anos 50 e 60. Nesta época, as práticas amorosas entre mulheres são nocivas, perversas, doentias, e as lesbianas precisam de tratamento para que possam ter uma vida decente. Este discurso médico-legal permeou a sociedade brasileira pelo menos até a metade do século 20 e justificou a exclusão dessas mulheres da sociedade, sendo que muitas acabaram asiladas em manicômios. Pessoas que viveram sob o estigma da perversão, de que o homo-erotismo era uma doença associada à criminalidade, em que se mata e morre por amor. (fonte: Jornal da UNICAMP)
autora: nadia nogueira
Entre 2003 e 2004, Nádia pesquisou as mulheres que amam mulheres no Brasil, entrevistou as que se dispuseram falar sobre suas práticas afetivas e sexuais com outras mulheres no Rio de Janeiro dos anos 50 e 60. Tarefa nada fácil convencer senhoras de mais de 60 anos a comentar o passado. Com acesso a um mundo muito particular, a pesquisadora pôde conhecer os códigos e mapear os pontos de encontro de mulheres na época.
Na década de 50 esses espaços eram quase inexistentes, pois a lésbica tinha horror de ser identificada como ‘mulher-homem’, sob pena de internação em manicômio. De qualquer forma, a bossa nova já abria locais de convivência para um grupo eclético, de prostitutas a cantoras da noite. Os primeiros bares, restaurantes e boates freqüentados abertamente por lésbicas surgem na década de 60, anos de transgressão. Havia o ‘El Jerez’, o ‘Bistrô’, a boate do ‘Hotel Vogue’, o ‘Alcazar’ espaço de encontros bastante reservado e ainda hoje existente na Avenida Atlântica, o ‘Alfredão’, já mais explícito, hoje inexistente e o ‘Bar da Fernanda’, na Tijuca, onde se encontravam as conhecidas.
A respeito dos códigos, Nadia Nogueira observou que as lésbicas tinham apenas a norma heterossexual como referência. Muitas não sabiam como namorar outra mulher. Imaginavam que deviam se comportar como um homem. Daí que as de classe social mais baixa se masculinizavam, usando o próprio corpo para conquistar o espaço público, não tinham outros meios de romper com o discurso dominante. As da elite, por outro lado, mantinham-se reservadas, preferindo organizar festas particulares. ‘Ser não significa parecer’, era a expressão que usavam. Somente dois lugares se encontram entre o público e o privado: o ‘Bar da Fernanda’, na Tijuca, e o ‘Clube das 12’, em Jacarepaguá, onde em certas ocasiões um terno era mais elegante. Ainda que de terno, elas não se achavam masculinas, mas ‘exóticas’, livrando-se do estigma.
Por causa desta pequena parte da tese de doutorado, o mapeamento dos espaços de sociabilidade lesbiana, a historiadora, pesquisadora e escritora participou da ‘13º Berkshire Conference of Women’s Historians’ na Califórnia, em 2005. Na ocasião realizou entrevistas em Berkeley (EUA), grande reduto de lesbianas e aí encontrou uma carioca, que vive na cidade desde 1966, e garantiu ter sido enorme a quantidade de mulheres de famílias ricas que deixaram o Brasil para assumirem a condição de lesbianas. Puderam, então, adotar um novo estilo de vida e muitas tiveram filhos, o que só hoje acontece com maior freqüência. Atualmente, no Brasil, Nadia Nogueira viu assegurada uma fonte farta de entrevistas, no Clube Olímpico, em Copacabana, acontece um encontro mensal com cerca de 300 lesbianas de várias gerações.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
memórias de um imperador
Herdeiro do Império Romano, Públio Élio Trajano Adriano mais conhecido apenas como Adriano, era um militar homossexual fascinado pela cultura dos povos dominados. Conhecido por seu interesse pela cultura grega e pela arquitetura, sua homossexualidade se revelou na relação aberta com a sua grande paixão, o jovem grego Antínoo. Para ele, Adriano construiu templos e uma cidade inteira. Homem de grandes contradições combinava opressão com tolerância cultural, construiu a muralha de 117 quilômetros entre a Inglaterra e a Escócia para se proteger dos exércitos inimigos do norte, na época, a região fazia parte do Império Romano. Seu encantamento pela arquitetura também transbordou bem longe do plano da guerra. Foi ele quem construiu o Panteão em Roma e uma extraordinária residência em Tivoli, a Villa Adriana, que fica perto de Roma. Era um sensível, do ponto de vista artístico e um apaixonado no amor homossexual. Quando da morte do jovem Antínoo, seu amante, decretou luto em todo o Império. 
Adriano renasceu numa exposição do British Museum, em Londres, num documentário da rede BBC e Hollywood visitará a Roma Antiga e também trará de volta o imperador, talvez o maior de todos os imperadores romanos. Um homem notável, uma das mais cultas e sábias figuras do seu tempo, que tornou a sociedade romana um pouco mais justa para as mulheres dando-lhes direitos e amenizando o tratamento dado aos escravos, será trazido de volta em um drama adaptado do romance de Marguerite Yourcenar no seu célebre ‘Memoirs of Hadrian’ (Memórias de Adriano). A genialidade desta obra nos remete a própria vida da autora, apaixonada por um homem que gostava de outro homem e que encontrou e amou a americana Grace Frick (1937). Para proteger a relação do preconceito, instalou-se em companhia da sua amada na solidão da ilha de Montes-Desertos (Maine-EUA), e torna-se cidadã americana em 1947.
‘Memórias de Adriano’ tem a forma de uma longa carta dirigida pelo velho imperador, já minado pela doença, ao jovem Marco Aurélio, que deve suceder-lhe no trono de Roma. Uma carta em que, numa serena confissão causada pela aproximação da morte, conta todos os episódios decisivos de sua vida. Marguerite Yourcenar era poliglota e apaixonada pela antiguidade clássica, publicou a obra em 1951, iniciada em 1924, e nela relata a figura humana do imperador romano, preocupado em passar ao sucessor, reflexões sobre suas misérias, glórias e o desesperado amor pelo belo e enigmático Antínoo, que ante o seu suicídio, num acesso de melancolia, o imperador quase enlouquece. Sua história foi inspirada em profundas pesquisas, visitas a museus, consultas a bibliotecas até absorver completamente a essência da personalidade do Imperador Adriano. Toda a sua sensibilidade na evolução de um império foi como uma reverência ao seu amor por Antinoo, que vivenciou a cada momento da história sem se importar com as intrigas.
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terça-feira, 30 de setembro de 2008
livro: o mercado GLS
sub-titulo: como obter sucesso com o segmento de maior potencial na atualidade Os autores, ambos com ampla experiência em negócios GLBTT, apresentam um perfil do público que o constitui e suas características muito peculiares, com base nisso indicam o caminho para que empreendedores tenham sucesso na investida. Explicam os erros mais comuns dando exemplos de desastres e acertos, explicam como qualquer empresa pode, a partir de uma comunicação acertada e de um atendimento cuidadoso, cativar essa clientela crítica e exigente. Laura Bacellar trabalha em editoras desde 1983. Fundou e dirigiu o primeiro selo editorial inteiramente dedicado às minorias sexuais, Edições GLS. Já foi editora em casas pequenas, como a ‘Mercuryo’, e enormes, como a ‘Scipione’. Escreveu três livros, adaptou cinco clássicos do inglês, ‘Robinson Crusoé’, ‘Drácula’, ‘Sherlock Holmes’, ‘Frankenstein’ e ‘Rei Artur’ e é co-autora, com o índio cariri Tkainã, do juvenil ‘Mãe d'água’. Dá cursos regularmente para autores e editores em instituições como a ‘Universidade do Livro’, ligada à Unesp. Mantém o site escreva seu livro, que é bastante utilizado por editores para instruir autores que os procuram. Atualmente trabalha como free-lancer para várias grandes editoras e é responsável pela 'Editora Malagueta', a primeira editora dirigida a lésbicas do Brasil.
autores: laura bacellar e franco reinaudo
editora: edições GLS
De acordo com Franco Reinaudo, no Brasil o pessoal tem mania de achar que todo mundo é igual. Tratam gays e lésbicas da mesma maneira e não é assim que funciona. Pela falta de informações sobre a comunidade, tem gente que pensa 'ah, vou pintar de rosa e montar o estabelecimento' e por isso acaba não dando certo, pois se baseiam em estereótipos. Como faltam pesquisas que falem do consumo desta população e por conta da ausência de dados, muitos empresários vão á falência por não conhecerem as especificidades dos consumidores GLBTT. O que falta é pesquisar e se preparar.
O mercado voltado para o público gay nunca foi tão explorado como agora, muitos são os nichos que investem neste mercado cheio de peculiaridades que, segundo pesquisas, possui uma renda mais alta do que a média da população, além de características como ser mais culto, extremamente exigente e donos de uma sensibilidade para detectar as diversas formas de preconceito.
Entender a diferença entre homossexuais e heterossexuais é essencial, mas não é suficiente para quem deseja realizar bons negócios junto ao público GLBTT, aquele que apresenta um dos maiores potenciais de consumo da atualidade. A idéia do livro surgiu para nortear futuros empresários que queiram abrir negócios destinados nessa área e nada melhor que um livro escrito por especialistas também brasileiros. O livro traz, ainda, um glossário de definições e termos sobre as minorias sexuais e sugestões de etiqueta da comunidade, para não fazer feio ao atender clientes tão especiais.

Franco Reinaudo é criador da ‘Álibi Turismo’, empresa de turismo sediada em São Paulo, a primeira empresa do ramo para o público gay e é um dos fundadores da ‘ABRAT GLS - Associação Brasileira de Turismo GLS’.
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sábado, 2 de agosto de 2008
livro: história do rei transparente
Rosa Montero é uma conceituada jornalista espanhola do jornal 'El País', com formação em jornalismo e psicologia. Por sua paixão pela Idade Média, escreveu uma fábula medieval, ou um romance histórico, ou melhor, um conto sobre as coisas essenciais da vida. No extremo limite entre o real e o imaginário, nada foge da realidade. Elementos como a consciência da condição de mulher e como elas sentem o mundo estão lá o tempo todo.
‘História do rei transparente’ conta a saga de 25 anos de vida de Leola, a heroína da trama, que também é narradora, que após sair de seu universo ínfimo de serva, viaja pela França disfarçada de homem por trás de uma armadura. A guerra a havia separado de Jacques, com quem iria se casar e ela torna-se o cavaleiro Leo. Inicialmente, disposta a reencontrá-lo a qualquer custo, no final, depois de uma longa jornada, quando o revê, constata que nunca chegou a estar a sua procura, porque, não queria achá-lo. Vive errante, acompanhada de Nyvene, sua ajudante e uma espécie de bruxa, com quem divide medos, lutas, vitórias e derrotas. Após enfrentar muitas batalhas, Leola acaba sangrando entre as pernas, mas não o sangue da guerra, e sim o da menstruação. É o feminino em conflito contra o masculino.
De suas pesquisas sobre a vida na Europa, a escritora exalta no livro as grandes transformações entre os séculos 12 e 13 que deram origem ao Renascimento e ao pensamento humanista reprimidos pelo poder da Igreja Católica, e transformados em frutos apodrecidos, através da força bárbara das Cruzadas e do fogo da Santa Inquisição. Lá também estão: o nascimento das cidades e da burguesia, a valorização da escrita e do papel da mulher na sociedade.
Leola com características mitológicas e que tem o segredo do rei a decifrar, em um aprendizado e transformações constantes, enfrenta obstáculos com inimigos maiores e mais fortes, aprende a ler e a escrever e faz anotações para um livro sobre as palavras e seus significados, enquanto Nyvene encarna a bruxa tão temida pela Inquisição, a sabedoria mágica das mulheres.
Os capítulos são curtos e com muito suspense, prazeroso e leve e com personagens fantásticos como Guy, o gigante ingênuo que atemoriza pelo tamanho, mas se comporta como uma criança, o ferreiro Léon, que padece do ‘grande mal’, como na época se chamava a epilepsia, a cega que melhor vê, o dragão que tudo pode; e também com personagens reais como o papa Gregório IX, que criou a Santa Inquisição em 1231.
‘História do rei transparente’ é temperado pela valorização do papel feminino; direitos, deveres e restrições são constantes na vida das personagens que se vestem de homens para sobreviver, mas o fazem sonhando com o reino de Avalon, onde as mulheres são importantes e vivem felizes. A narrativa é tão intensa que nas aventuras das personagens principais, sentimos os sabores e os aromas bons e os desagradáveis da época que fez de nós o que somos hoje.
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sábado, 19 de julho de 2008
brokeback mountain no teatro
a ‘Ópera de Nova York’ deu a missão ao maestro Charles Wuorinen para compor uma ópera baseada em ‘Brokeback Mountain’, o conto da escritora Annie Proulx sobre dois caubóis que se apaixonam. Depois do filme de Ang Lee, ganhador do Oscar de 2005, a nova obra promete mais polêmica e também muitos aplausos. Edna Annie Proulx é uma escritora e jornalista norte-americana, de origem franco-canadense, nascida em Connecticut. Edna começou tardiamente a escrever ficção, aos 56 anos. Em 1999, resultante de um longo período de viagens pela Europa, Nova Zelândia e Austrália, lança a coletânea 'Close Range'. Dentre as histórias contidas nesse livro estava 'Brokeback Mountain', inicialmente lançado na conceituada revista ‘The New Yorker’, em 1997. Em um verão de 1963, antes dos hippies, do ‘amor livre’, do LSD, do ecstasy e da Aids, é que se encontram os caubóis Jack Twist e Ennis del Mar. Eles sobem a montanha Brokeback para cuidar de um rebanho de ovelhas e juntar algum dinheiro. Ennis pretendia se casar com sua namorada, mas o amor surge, sem dizer seu próprio nome nem encontrar nenhum outro que lhe convenha, e se instala entre os dois caubóis pelos 20 anos seguintes. Anos mais tarde Larry McMurtry e Diana Ossana fazem uma adaptação dessa história para um roteiro de filme que é materializado pelo diretor Ang Lee. ‘Brokeback Mountain’ conseguiu um feito inusitado, tornou-se um filme e o mais elogiado do ano. Sem cair na mesmice, sem cenas tórridas de sexo, o filme revela o romance proibido de dois caubóis de forma sensível e sincera. Impedidos de demonstrar e assumir seus sentimentos, eles são obrigados a escondê-los devido a realidade da época que não admitia casos homossexuais, visto conforme o relato de Ennis Del Mar (Heath Leadger) que confessa o fato de seu próprio pai ter espancando um deles até a morte. O relacionamento deles é algo maior do que simples desejo sexual, eles seguem apaixonados por muitos anos, vendo-se esporadicamente e encontrando um no outro o amor genuíno.
Críticos de seu trabalho acusam-na de expôr seus infelizes personagens a traumas intensos e a uma realidade negra demais. No caso de ‘Brokeback Mountain’, contudo, foi a realidade, que se encarregou de tornar a literatura ficcional de Annie Proulx um consistente presságio. Meses depois da publicação do conto, um crime de ódio aconteceu perto de onde a escritora mora. Matthew Shepard, então com 21 anos, saiu de um bar gay com dois rapazes. Ele foi levado a um lugar ermo, amarrado a uma cerca, espancado, roubado e deixado à morte, que o alcançou após horas de agonia sob o frio da noite. Cada um dos acusados recebeu duas penas perpétuas consecutivas.
No conto de Annie Proulx, os caubóis são feios e toscos, muito diversos dos personagens de Ang Lee. Jack Twist é baixo, dentuço, de cabelos enrolados e tinha 'pneus' na cintura que aumentaram com o passar dos anos. Ennis del Mar, por sua vez, é alto e magrelo, de rosto fino, nariz torto e as pernas arqueadas típicas de caubói. Com poderosos diálogos e frases certeiras Annie Proulx mostra em menos de 60 páginas o poder de corrosão do medo e do mundo sobre o amor, sentimento em geral tido como indestrutível e milagroso. Sua trama desperta ao mesmo tempo a ansiedade de saber até onde vai tanta intensidade e o medo de virar a próxima página e descobrir a resposta.
Heath Leadger e Jake Gyllenhall estão impressionantes. O primeiro está no seu melhor papel, merecidamente indicado ao Oscar. Abusando do sotaque e do jeito característico dos caubóis americanos seu personagem encontra-se atormentado por sentir algo indesejado, e Jack Twist (Gyllenhall) é a sua maldição. Jake interpreta um papel mais fácil, que está disposto a aceitar e expressar seus sentimentos, querendo viver junto com Ennis, mesmo que corra risco de se tornar vítima da violência e do preconceito. Michelle Williams vive a angustiada esposa de Heath Leadger, tanto na vida real como na tela. Demonstra segurança e só no olhar transmite mil palavras, como exemplo, a cena em que ela descobre que o relacionamento dos dois é mais que uma amizade. Uma história difícil e que tinha tudo para dar errado, acabou recebendo oito indicações ao Oscar. Contando um caso de amor universal em que não tem como não se identificar, independente da orientação sexual, ‘Brokeback Mountain’ é imperdível.
Fale de sua aldeia e falará do mundo, dizia Tolstói.
Annie Proulx quis falar do amor em uma aldeia
e falou do amor no mundo: e eles eram dois caubóis.
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domingo, 13 de julho de 2008
a literatura homossexual sai do armário
A editora americana ‘Triangle’, especializada em literatura gay, pediu a um grupo de intelectuais e autores uma lista das cem melhores obras no gênero, e mesmo com a maioria sendo de americanos, obteve uma lista notável: começando com ‘Morte em Veneza’, de Thomas Mann, passando por ‘Em Busca do Tempo Perdido’, de Marcel Proust, e chegando a ‘O Beijo da Mulher-Aranha’, do argentino Manuel Puig.
A homossexualidade é reconhecida há milênios, mencionada em textos da antigüidade clássica; mas, apesar da tolerância grega em relação a ela, de maneira geral tratava-se de transgressão e dificilmente poderia ser abordada em texto, a não ser de forma camuflada, como acontece em sonetos de Shakespeare.
‘To get out of the closet’, sair do armário, é uma expressão muito usada para designar a atitude de homossexuais que assumem sua orientação. Esse processo, porém, nunca foi fácil. A literatura explicitamente gay é, portanto, relativamente recente, se impôs somente nas últimas três décadas e permitiu que muitos abordassem o tema na ficção, na poesia, no ensaio.
Os autores atuais dão prosseguimento à obra daqueles que, homossexuais ou não, falaram corajosamente do 'amor que não ousa dizer seu nome' definição de Oscar Wilde, sobre a homossexualidade, como forma de mais perfeita afeição e amor.
Autores importantíssimos são citados: veja a lista aqui. E a essa relação ainda podemos acrescentar os nomes de Lord Byron, Walt Whitman, Allen Ginsberg, García Lorca, Oscar Wilde, Arthur Rimbaud e Tennessee Williams. No Brasil são listados, entre os escritores homossexuais, João do Rio, Pedro Nava, Caio Fernando Abreu, Walmyr Ayala e muitos outros.
Há pelo menos um clássico de nossa literatura que aborda o tema da homossexualidade: ‘Bom Crioulo’ (1895), de Adolfo Caminha, escritor que faleceu muito jovem, e autor de uma sombria obra, na qual o romance mencionado não constitui exceção. Dentro do espírito da época, é um texto naturalista que narra a ligação entre o negro Amaro, escravo fugido que se torna marinheiro, e o grumete Aleixo, que trabalha na mesma embarcação. O livro é, portanto, duplamente “transgressor”: amor entre homens, amor entre um negro e um branco. Amaro, que tem 30 anos, domina Aleixo, que, com seus 15 anos, ainda é quase um menino. O autor introduz ainda uma prostituta, Carolina, que, seduzindo Aleixo, cria um inusitado triângulo amoroso, que termina em tragédia quando Amaro mata Aleixo e é preso. Publicado no Reino Unido, na Alemanha, na França, no México, em Portugal, o livro teve grande repercussão.
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domingo, 8 de junho de 2008
livro: amor entre meninas
autora: shirley souza A adolescência é uma idade muito complicada. Nesse período surge uma série de dúvidas sobre sexo. Será que sou homossexual porque achei aquela menina bonita? Essa pergunta é freqüentemente feita por garotas que estão em dúvida sobre sua sexualidade. "Amor entre Meninas" toca no assunto com uma abordagem leve e dinâmica, tirando dúvidas e desmistificando certos tabus que levam ao preconceito. A autora Shirley Souza trata do amor entre iguais, destacando desde a possibilidade de experimentação, de auto-conhecimento e de identificação como parte do desenvolvimento pessoal até conflitos associados aos desejos, sentimentos e emoções decorrentes da relação entre meninas. ‘Amor entre Meninas’ chega para complementar uma linha editorial voltada para a educação sexual de adolescentes, com perguntas e respostas, depoimentos de meninas mais velhas e curiosidades. Se ter certeza sobre a preferência sexual pode não ser fácil, imagine assumir uma opção não-convencional! Se você conhece alguém que está passando por isso, saiba que ela precisará de muita força. Agora, se você está vivendo essa situação, respire fundo. O maior desafio é assumir para si mesma o que a faz feliz. sobre a autora: Shirley Souza é formada em Comunicação pela ECA-USP. Atua como redatora e artista gráfica em diversas editoras e agências de publicidade. Também trabalha como educadora em projetos especiais para crianças e adolescentes junto a colégios particulares e ONGs. Já escreveu e ilustrou obras infantis e juvenis.
trecho do livro que fala sobre o momento de "sair do armário".
Sair do armário
Sair do armário quer dizer assumir sua preferência homossexual principalmente para si própria; depois, para os outros. Muita garota sabe que gosta de menina, sem, contudo, nunca chegar a ficar com uma. Para alguém assim usa-se a expressão sair do armário, entende? Enquanto a pessoa não assume sua sexualidade, diz-se que é enrustida. Mas cuidado! Há uma diferença entre sair do armário e ser arrancada dele. Uma coisa é colaborar para alguém conseguir expressar livremente sua orientação sexual, outra é expor essa pessoa, denunciá-la. Achar que é obrigatório revelar publicamente a vida privada de alguém, ainda mais por imposição do grupo, é algo totalmente sem noção!
Aconteceu com ela...
A amiga, a colega, a conhecida, seja quem for a menina, a gente já ouviu alguma história assim, de alguém que assumiu sua homossexualidade. E aí? Como isso rolou?
'Comigo foi normal. Minhas amigas sempre ficaram com outras meninas. Aí quando ela falou que tava mesmo namorando uma garota, ninguém estranhou. Normal mesmo' - D., 16 anos
'A galera arrepiou. Dar uns beijos numa balada é uma coisa, mas ela apareceu com aliança de compromisso! Foi demais, entende? E o que os pais dela vão pensar disso?' - S., 13 anos
Lá na escola tem duas garotas que não se desgrudam: beijam na boca na frente de todo mundo e a galera zoa. Não seria melhor elas namorarem escondido?
Opção difícil essa. Imagine como seria se você gostasse muito de um garoto e não pudesse beijá-lo em público, não pudesse ir abraçadinha com ele ao cinema nem apresentá-lo aos amigos e à sua família como seu namorado. Não seria fácil. Para a maioria das meninas que gosta de meninas essa é a realidade. Muitas têm tanta vergonha de assumir o que sentem que passam a vida fingindo ser o que não são. Outras até se arriscam a fazer o que o coração manda, mas fazem bem escondidinho para ninguém descobrir. Difícil ser feliz assim. Poucas assumem para o mundo que gostam de garotas, ainda mais na adolescência! Se essas duas meninas assumiram seu namoro = perante o colégio, de duas uma: ou elas querem chamar a atenção de todo mundo, ou se gostam de verdade e estão querendo que todos entendam que não há nada de mau nisso. Será que o problema está no fato de elas se beijarem na frente da galera, ou na cabeça da turma, que considera isso uma aberração? Vale refletir!
Tem um jeito certo de lidar com uma amiga homossexual?
O fato de uma amiga sua gostar de meninas não deve mudar sua maneira de se relacionar com ela. Não existe um jeito especial de tratamento. Isso seria, em si, um modo de discriminação. Cada pessoa reagirá de um jeito diferente ao saber que alguém próximo é homossexual. Isso porque esperamos que todo mundo seja como a gente, principalmente nossos amigos. É normal acreditar que uma amiga tenha os mesmos gostos que nós temos por música, roupas, livros, filmes e meninos. Por isso, descobrir sua homossexualidade talvez balance as estruturas. Nesse caso, pare e pense que o mundo é formado por diferenças. Por mais parecidos que os seres humanos sejam em muitos aspectos, também são indivíduos únicos em outros. Com certeza, o que a fez ser amiga dessa garota não foi o fato de ela gostar de meninos. Portanto, saber que ela gosta de meninas não deve mudar todas as outras afinidades que existem entre vocês duas.
Eu nem imaginava uma coisa dessas, mas depois de ver essas meninas da escola, uma amiga me contou que também é lésbica. O que faço agora?
Se essa amiga contou algo assim é porque confia em você. Primeiro, a vida sexual dela não deve mudar essa amizade; ela pode estar buscando uma confidente, um apoio, alguém para compartilhar suas experiências e dúvidas. Fazemos isso normalmente: amadurecemos vivendo e trocando experiências. Tudo bem que seja difícil guardar algo assim só para si mesma, mas não cabe a você contar a outras pessoas nem decidir se ela deve ou não dizer a mais alguém. Seja amiga, apenas a mesma que sempre foi. O melhor a fazer é não tratá-la de um jeito diferente agora que sabe que ela gosta de meninas.
Só que ela disse que está namorando uma menina há um tempão e que decidiu levar a garota numa festa da turma do colégio. Eu não acho isso legal. Como faço pra falar o que penso?
Antes de falar qualquer coisa para ela, analise as razões que a fazem considerar essa atitude ruim. Será que está querendo protegê-la ou está se protegendo? Avalie-se antes de tomar uma atitude. Com certeza, sua amiga precisa de uma força, de compreensão e de carinho. Se você teme uma possível discriminação por parte do grupo, converse com ela, sem tentar ser a dona da verdade. Tente entender seus motivos em querer assumir publicamente esse relacionamento e veja se ela está preparada para uma possível rejeição da galera. Mas note bem: se forem amigas de verdade, esteja pronta para se colocar ao lado dela.
Eu acho que não vou ter coragem de ficar ao lado dela se a galera toda começar a zoar ou até afastá-la do grupo.
Então a discriminação está na sua cabeça também. Colocando-se ao lado do grupo você demonstra que concorda com o que essa turma pensa, ou que tem medo de também sofrer algum tipo de preconceito. Seus motivos são reais para não apoiar sua amiga? Considera errado ela gostar de uma garota? Antes de mais nada, ela está sendo fiel a si própria, assumindo o que sente e vivendo uma paixão. Isso não deveria ser admirado? Talvez ela se sinta sufocada por manter essa relação escondida dos amigos. Talvez precise do apoio dos colegas para viver mais intensa e livremente esse amor. Vocês têm o direito de considerar isso errado ou anormal? O respeito às diferenças deve existir em qualquer realidade e deve ser levado à prática, não ficar só na teoria.
Os meninos da turma também andam falando que uma outra amiga minha é lésbica. Devo contar pra ela?
Por que esse tipo de comentário está acontecendo no grupo? Há um ditado popular que expõe bem essa situação: o macaco senta em cima do rabo e fica olhando o dos outros. Em vez de se preocuparem com a vida sexual de uma garota, esses seus amigos deveriam se preocupar com as próprias opções, com as próprias decisões que precisam tomar em suas vidas. Então, mais uma vez, cabe a você decidir se entra na onda dos meninos ou corta essa onda de uma vez. Se discorda desses comentários, antes de contar para sua amiga, é bem melhor chegar na galera e tentar mostrar o quanto de preconceito há nisso tudo. Também vale agitar um movimento de conscientização coletiva, como criar um blog na internet para discutir diversidade sexual ou um jornal na escola, quem sabe até propor um trabalho sobre o tema com um professor com quem tenha maior afinidade. Será difícil, com certeza. No entanto, levar a história de fofocas e difamação adiante só machucará os sentimentos dessa amiga. Afinal, a vida sexual dela diz respeito somente a ela, certo?
Homossexual, lésbica, fanchona, caminhoneira, bolacha, entendida ou sapatão...
Quando uma garota gosta de meninas, é comum logo ser rotulada, e o rótulo costuma ser agressivo. Chamar uma garota de sapatão, de fanchona, caminhoneira, ou algo parecido, agride e desrespeita o jeito de ela ser. Muitas vezes usamos as palavras sem pensar na carga que têm. Dependendo da palavra que usa, aquilo passa a ser um xingamento. Sendo assim, fique ligada e se livre dos preconceitos na hora de falar, de agir e de pensar.
- Homossexual: é o modo mais formal de definir alguém que gosta de pessoas do mesmo sexo.
- Lésbica: palavra certinha para dizer que uma garota gosta de garotas.
- Bolacha: é um jeito brincalhão de dizer que a menina é lésbica.
- Sapatão, sapata, sapa: são termos mais agressivos, que também significam lésbica.
- Caminhoneira: lésbica muito masculinizada, e a ex¬pres¬são por vezes é usada para ofender uma garota. Usam-se também fanchona ou fancha.
- Entendida: gíria leve e moderna para dizer que uma menina gosta de meninas.
GLS
No universo homossexual a sigla GLS é superconhecida. Quer dizer "Gays, Lésbicas e Simpatizantes". Os "Simpatizantes" são as pessoas que não são gays nem lésbicas, mas respeitam essas orientações sexuais. Cada vez mais o 'S' cresce no mundo inteiro. As pessoas, principalmente os jovens, começam a entender que diversidade sexual é uma realidade que merece respeito, embora ainda falte muito para existir igualdade de direitos e de tratamento. Só para ter uma idéia: o Brasil é recordista em assassinatos de homossexuais. Um deles é assassinado a cada dois dias.
A gente fala em preconceito, mas às vezes é difícil lidar com minhas amigas que já ficaram com meninas e acham que quem não fica é boba ou algo assim
Dá para entender que ser homossexual seja tão natural quanto ser hetero, mas forçar a barra em nenhum sentido é bom. Elas podem estar fazendo pressão porque encaram a situação como uma moda: para fazer parte do grupo você precisa agir como elas. Também existe o preconceito às avessas, em que o grupo discriminado passa a discriminar quem não faz parte dele. Se você sabe que o importante é o respeito às diferenças, vai entender que a atitude delas está sendo uma roubada. Mostre o seu ponto de vista, porque ficar quieta ou fazer o que elas querem não resolve nada.
'Ficar com uma menina só pra seguir a moda é ridículo! Você tem de corresponder à sua essência e ponto.' - J., 25 anos
'Ficar com uma menina só pra parecer descolada é um comportamento infantil! Não acordamos um dia e resolvemos que vamos beijar garotas. Ser lésbica tem de ser algo que vem de dentro, é natural, faz parte da pessoa.' - M., 24 anos
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quinta-feira, 15 de maio de 2008
livro: lançamentos
titulo: ‘manual de direitos dos homossexuais: legislação e jurisprudência' titulo: ‘hiding in hip hop’ titulo: ‘on being a gay parent’ titulo: ‘um estranho em mim’
autor: cláudia thomé toni
O livro que trata das questões polêmicas relacionadas aos interesses dos homossexuais e às uniões entre pessoas do mesmo sexo, escrito pela juíza Cláudia Thomé Toni, foi lançado hoje, dia 15 de maio. A obra tem o objetivo de esclarecer dúvidas comuns a muitas pessoas sobre os assuntos relacionados aos direitos dos homossexuais, assuntos estes que já são previstos em lei e consagrados pelos tribunais, mas desconhecidos por muitos. O livro é um manual prático, que tem por finalidade facilitar a compreensão do tema e elucidar as dúvidas dos leitores acerca de questões cotidianas dos homossexuais ou das pessoas que os cercam.
autor: terrance dean
Se até agora falar sobre homossexualidade no meio hip hop era um tabu, já não é mais. Terrance Dean, executivo da MTV, lançou nos Estados Unidos, o livro ‘Hiding in Hip Hop’ (‘Escondendo no Hip Hop’ numa tradução livre). O livro, segundo o autor, é um desejo antigo e nasceu da observação das barreiras criadas entre artistas deste gênero musical em falar sobre homossexualidade. No livro ele discute possíveis motivos e conseqüências do tema não ser tratado abertamente dentro do universo do hip hop, fazendo paralelo com outros gêneros musicais, muitos dos quais com artistas que há tempos assumiram publicamente sua homossexualidade, tornando-se ícones entre gays e lésbicas no mundo todo. Dentro da cultura masculina de hip hop e Hollywood, há uma cultura gay bem conhecida, mas que a indústria prefere esconder. Todos querem saber a verdade sobre o seu ídolo favorito, mas a intenção do autor não é tirar ninguém do armário, ele não revela quem é homossexual, apenas lista boatos que surgem na mídia e, dentro deste contexto, discute a homofobia no universo hip hop.
autor: brett web-mitchell
Brett Web-Mitchell, pastor presbiteriano gay membro da ‘United Church of Christ’, única congregação protestante a favor dos matrimônios entre pessoas do mesmo sexo, lançou um livro que discute homossexualidade e família. Brett Web-Mitchell, que assumiu-se publicamente homossexual há 12 anos, é também pai de 2 filhos de seu primeiro casamento. O livro ‘On being a gay parent’ (‘Sendo um pai gay’ numa tradução livre) é um guia para que os pais aprendam a expor sua homossexualidade para os filhos. Segundo ele, os pais gays têm de enfrentar os mesmos problemas diários que os pais heterossexais, com o agravante que seus filhos são tratados como diferentes por terem pais gays. Explicou, também, que escreveu o livro porque não havia ninguém que fosse pró-gay, pró-filhos, pró-família e pró-cristianismo. Os livros que tratam de pais gays e cristianismo são muito pouco cristãos.
autor: marcos lacerda
Este romance conta a história de Eduardo, um bem-sucedido médico de meia-idade, e do seu amor por Alexandre, um garoto de 17 anos. Ousado e longe dos moralismos tradicionais, o livro é um mergulho na alegria, no desespero, no abandono e na dor de quem já experimentou o que é amar e perder. O livro pode ser lido por gays e não gays, porque mesmo partindo de uma temática homoerótica, fala das vivências profundas do ser humano, homossexual ou não, da solidão e do medo que todos experimentamos ao longo da vida. O livro rendeu ao autor o prêmio ‘Novos Autores Paraibanos’. Marcos escreveu o livro enquanto terminava seu mestrado em Psicologia Social e atendia pacientes em seu consultório. Atualmente, além das atividades como psicólogo, desenvolve pesquisas sobre a violência contra homossexuais, como aluno do Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Paraíba.
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sábado, 26 de abril de 2008
livro: o segredo bem guardado de hitler
dois livros, um mesmo assunto, diferentes abordagens: a homossexualidade de hitler O documental 'O Segredo de Hitler: a vida dupla de um ditador' do historiador alemão Lothar Machtan, traz a público uma bem guardada informação: Hitler era gay. O homofóbico 'A suástica cor de rosa: homossexualidade no Partido Nazista' (The Pink Swastika: Homosexuality in the Nazi Party), dos americanos Scott Lively e Kevin Abrams. (as resenhas sobre os livros foram escritas por Thereza Pires)
Segundo o autor, Lothar Machtan, professor de ‘História Contemporânea e do Tempo Presente’ na Universidade de Bremen, Adolf Hitler teve, ao final dos anos 20, uma série de relacionamentos homossexuais. Durante cinco anos, por exemplo, teria mantido uma relação com seu colega de caserna Ernst Schmidt. A partir de 1930, com a ascensão do partido nazista, ele se sentiu vulnerável e tentou por todos os meios apagar esta imagem "comprometedora". A eliminação do chefe das SA Ernst Roehm, em 1934, foi diretamente ordenada por Hitler, como 'queima de arquivo'.
O Coronel Roehm, homossexual assumido, detinha em seu poder documentos altamente comprometedores. Adolf Hitler teria ordenado a perseguição aos homossexuais para dissimular sua própria sexualidade. A obra enfoca a pessoa humana que foi Adolf Hitler, dissecando especialmente um período sombrio que nunca havia sido explorado: sua juventude em Viena e o início da carreira político-militar na Alemanha. O autor documenta os envolvimentos pessoais do ditador e seu caráter promíscuo, teria sido contagiado pela sífilis, explicando que só é possível tentar compreendê-lo se for considerado este aspecto de sua personalidade.
A orientação sexual obrigou a cúpula do Partido Nazista a se restringir a um círculo que foi se tornando cada vez mais fechado. As nomeações para cargos de confiança seriam feitas não pela competência, mas pelo nível de discrição e fidelidade ao Führer. As raras relações heterossexuais também são avaliadas: com a própria sobrinha Angela Maria (Geli) Raubal. Talvez ela tenha sido amante do Tio Adolf, talvez não. A morte aos 23 anos foi anunciada oficialmente como suicídio, mas rumores garantiam, na época, que havia sido morta por Heinrich Himmler, chefe da Gestapo, das SS (tropas de elite) e das SA (tropas de choque).
Quanto ao casamento 'in extremis', segundo o autor, Hitler teria se unido a Eva Braun pouco antes do suicídio para, com este gesto grandiloquente, 'assegurar sua masculinidade perante a História'. Afirma também o autor que ‘a inclinação sexual de Hitler não é a chave para compreender sua vida, mas conhecê-la abre novas possibilidades interpretativas’.
Ao ser publicado em 1995, e nas sucessivas edições, o livro produziu o efeito de uma bomba nos sites gays da internet. Os autores mostram com ‘provas irrefutáveis’ que a homossexualidade era o centro dos regimes nazista e fascista e que a elite nazista era constituída por homossexuais enrustidos. As diretrizes do Partido teriam sido traçadas em Munique, mais exatamente no ‘Bratwurstgloeck’, que seria conhecido nos dias de hoje como um bar gay. Muitos dos rituais e símbolos viriam de 'organizações sodomitas', entre elas a saudação 'Sieg Heil' (Viva a Vitória!) e a logomarca dos SS.
Segundo o livro, Hermann Goering, Comandante-em-Chefe da Luftwaffe, Presidente do Reichstag (Parlamento Alemão), Primeiro Ministro do Estado da Prússia e, sucessor direto de Hitler, caprichava na aparência, usando roupas exóticas e maquiagem pesada, mesmo tido como um marido exemplar em seus dois casamentos. Rudolph Hess, vice-führer alemão, seria conhecido no Partido como 'Fraulein Anna'. Herschel Grynszpan, jovem judeu polonês de 17 anos que matou Ernst von Rath (funcionário da embaixada alemã em Paris) em Paris (1938), dando aos nazistas uma boa desculpa para a 'Noite de Cristal', onde foram mortos 35 mil judeus é descrito como prostituto homossexual que sabia demais, 'detalhe' que foi usado pelo advogado de defesa, com sucesso, para adiar indefinidamente seu julgamento por homicídio.
A orientação fundamentalista de direita do discurso dos autores do livro deu origem a discussões sem fim que, até hoje, explodem aqui e ali, provocando um debate cujo conteúdo é surrealista. Havia uma outra razão para que os nazistas prendessem e matassem homossexuais: eles desejavam apagar evidências ‘incriminatórias’ contra seus próprios líderes. Os autores do livro, Scott Lively, advogado e presidente da ‘Pro-Family Law Center’, uma espécie de 'TFP' (Tradição, Família e Propriedade) norte-americana , e Kevin Abrams, que se autodefine como ‘um psico-historiador’ das leis, procuram destruir o mito de que os nazistas perseguiam homossexuais. E que, na realidade, a maioria dos nazistas e atuais simpatizantes, como os dirigentes dos modernos grupos nazistas americanos, também eram ou são gays. E que os homossexuais foram os verdadeiros culpados pelo holocausto, uma vez que Adolf Hitler e todos os seus comparsas eram gays.
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sexta-feira, 4 de abril de 2008
livro: clark gable, estrela atormentada
titulo: "clark gable: tormented star"
autor: david bret
"Clark Gable: Tormented Star", escrito por David Bret, traz a biografia do ator norte-americano e anda causando polêmica nos Estados Unidos.
O livro ilustrado traz declarações contundentes sobre a vida de William Clark Gable (1901-1960), chegando até a afirmar que o ator era garoto de programa e gostava de fazer sexo por dinheiro. Como bem sugere o título, Gable escondeu um mundo de emoções e confusões sexuais por trás de sua boa aparência, e o autor analisa a lenda de uma forma que ninguém mais o fez.
Quando a maioria das pessoas ouve o nome Clark Gable, o associa ao clássico ‘Gone With The Wind’ (no Brasil ‘...E o Vento Levou’) de 1939, tornando-o sinônimo do personagem Rhett Butler como Humphrey Bogart tornou-se para Rick Blaine em ‘Casablanca’.
David Bret também conta no livro diversos hábitos sexuais bizarros e detalhes sobre a saúde do ator que morreu aos 59 anos em 1960. Além de alegar que Gable tinha halitose (mau hálito), hepatite e dentes estragados, o autor conta também que o ator costumava "friccionar seu pênis até sangrar" e se utilizar de aparatos que prometiam aumentar o tamanho de seu órgão sexual.
Em determinado trecho da biografia, Bret ainda chama o ator de "hipócrita" por manter uma aparência de "sex symbol macho" e até incitar a homofobia, ao mesmo tempo em que dormia com outros homens.
O livro recebeu uma dura crítica no site do jornal norte-americano "The New York Times", e a jornalista Ada Calhoun analisou "Clark Gable: Tormented Star" como uma tentativa de impressionar os leitores com informações não tão confiáveis. Segundo Ada, o autor da biografia elenca diversos fatos chocantes da carreira de Gable e não assegura sua veracidade, criando uma série de suposições imprecisas em algumas de suas principais alegações. (fonte: Folha Online)
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
livro: o armário
sub-titulo: vida e pensamento do desejo proibido O livro é auto-biográfico e narra todos os conflitos do autor até assumir plenamente sua homossexualidade. Além disso, graças a sua formação em psicologia, sai do âmbito pessoal e entra em história, psicologia, família, processos neuróticos, homofobia, homofobia internalizada, educação, machismo e vários outros conceitos que explicam - detalhe por detalhe - o motivo que leva as pessoas a "entrarem no armário" e o quanto é importante que elas saiam dele. Fabrício Viana é bacharel em psicologia e possui diversos projetos sociais dentro e fora da internet, todos eles ligados à comunicação, educação e sexualidade humana. Gay assumido e casado com outro rapaz tem como finalidade levar informações gratuitas à população sobre a homossexualidade.
autor: fabrício viana
editora: produção independente, sem apoio e sem editora é vendido apenas pela internet por meio do site oarmario
Ter escrito, editado e publicado o livro não foi tarefa fácil para o autor, mas compensador visto que a obra tornou-se importante e didático para muitos e surpreendente para ele mesmo devido à diversidade de leitores interessados. Mães compraram para presentear os filhos, outras para entendê-los e vice-versa, senhoras e senhores da melhor idade descobrindo a verdadeira sexualidade. Executivos, esposas por desconfiarem da homossexualidade de seus maridos, outras para compreenderem a sua própria atração por outras mulheres, jornalistas, psicólogos, advogados e até religiosos apenas para poderem entender o universo homossexual ou a sua própria homossexualidade.
Também leitores homossexuais assumidos, fora do armário, buscando entender mais seu próprio universo ou até mesmo para se livrarem de toda a homofobia internalizada e o negativismo homossexual que carregam dentro de si..gif)
Em 2002 criou a campanha GLBT (página de campanha digital com vários banners contra o preconceito a gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros, no momento o site está indisponível por problemas técnicos), em 2003 o armário X e em 2004 a tvtudo, esta ultima, premiada pela APOGLBT, ONG responsável pela maior parada gay do mundo.
Nas palavras de Maria Berenice Dias, desembargadora do Superior Tribunal de Justiça, Fabrício Viana é gente que faz a diferença neste mundo em que a mesmice do igual parece ser a única virtude.
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domingo, 13 de janeiro de 2008
livro: lado B
sub-titulo: histórias de mulheres Nesse universo literário, há muita escrita ordinária, desperdício de papel e celulose. Em meio ao lixo, também existem algumas pérolas (no bom sentido). É o caso de "Lado B - Histórias de mulheres", um livro de contos sobre os amores e medos das lésbicas, um tema ainda pouco explorado no mercado editorial. Lado B é uma expressão que não se refere apenas ao lado menos conhecido dos antigos discos de vinil, estranhos para quase todas as pessoas com menos de vinte anos, já foi incorporada ao nosso vocabulário e significa aquilo que é menos divulgado, o lado alternativo de tudo e de todos. É disso que fala o livro: 'do lado alternativo das mulheres, seja por meio da escrita dos amores lésbicos ou dos sentimentos normalmente ocultos, mas geralmente mais autênticos e profundos', define a autora. ’Amparo estava com catorze anos. Havia ficado mocinha e seus seios finalmente tinham aparecido. Suas nádegas se projetavam, agora, estufando a calçola. Amparo passa alguns momentos dos seus dias, quando estava sozinha, admirando as mudanças do seu corpo. Um dia, havia saído do banho, acabara de se enxugar e estava nua, se olhando, envergonhada - sua mãe e as freiras do colégio viviam martelando em sua cabeça que o corpo da mulher era a origem do sofrimento do homem -, quando Luísa entrou no quarto sem bater à porta. Ficaram se olhando. Não disseram nada. Beijaram-se como se isso fosse o esperado, o certo, desde o início dos tempos. Amparo soube então o porquê dos olhares "assassinos" das outras garotas. Da ruiva em especial. sobre a autora: Lúcia Facco nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1963. É graduada em Letras (Português- Francês), e especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
autora: lúcia facco
editora: edições GLS
"Lado B" traz 12 contos. O texto é enxuto. As descrições buscam o realismo. Mas há um toque de poesia, explorando um clima de nostalgia, melancolia, algo "retrô". Elas amam demais, sofrem demais e sentem demais, em um mundo de repressões, patriarcal, que ainda silencia, condena e pune o prazer e o amor entre mulheres. Além do erotismo, a obra fala de maternidade, de amor, de morte, de solidão, de felicidade. Há lésbicas para todos os gostos, contrariando as expectativas do senso comum, que só admite a existência do estilo 'caminhoneira' para as chamadas 'sapatonas'. O livro surpreende quando narra experiências de mulheres cheias de feminilidade, assumidas ou não, de diferentes perfis (brancas, negras, jovens, velhas, enfim, gente de carne e osso, que pode estar sentada ao seu lado e você nem desconfia de sua homossexualidade - e precisa?).
Ao contrário do que se costumava ver até pouco tempo na literatura, as personagens da autora não são fadadas a uma existência trágica e também não são apenas objeto. A culpa inicial que poderia frustrar a felicidade futura, a solidão, o medo da morte e a nostalgia são elementos que ela destaca. Afinal, trata-se da alma feminina.leia trecho do livro
Amparo nunca se sentira tão feliz em sua vida. Estava apaixonada e nas noites brancas coloridas por Luísa trocavam juras de amor: "Se tiver de te deixar, me mato!" Mas sabiam que um dia iam se separar e não teriam coragem de se matar. Dois meses foi o tempo que durou essa paixão. Ou melhor, dois meses durou essa paixão com sexo, pois sem ele já era antiga. Sá veio um dia e levou Amparo. Havia um pretendente rico, que não exigia grande dote além da virtude da moça. Em um jantar, Amparo foi apresentada àquele que queria ser seu marido e tomar dela o que ela só queria dar a Luísa. Mas a quem poderia contar semelhante descabimento?
Clóvis era velho. Tinha idade para ser seu pai. Não era feio nem bonito. Medíocre seria a palavra perfeita para descrever aquele homem. À noite, em sua cama, Amparo repetia baixinho, raivosamente: medíocre, medíocre, medíocre...'
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domingo, 23 de dezembro de 2007
livro: jack & lem
sub-titulo: John F. Kennedy and Lem Billings: The Untold Story of an Extraordinary Friendship O livro, de autoria de David Pitts, jornalista, documenta a jornada de amizade, durante quase trinta anos, entre o gay assumido Kirk LeMoyne Billings, mais conhecido por seu apelido Lem, e o presidente mais carismático que já comandou os Estados Unidos, John F. Kennedy. Algumas citações do livro
autor: David Pitts
editora: Carroll & Graf
Conta como os dois se conheceram em Choate, no ano de 1933, e rapidamente se tornaram amigos inseparáveis até o assassinato fatal numa tarde ensolarada em Dallas em 1963. Os dados apresentados indicam que Jack descobriu que Lem era homossexual logo no início da amizade, no entanto, Jack não rejeitou Lem, pelo contrário, a amizade cresceu e sobreviveu contra as probabilidades.
É uma biografia como poucas: além de sua função de entendimento histórico, serve para demonstrar como um dos homens mais poderosos da história norte-americana lidava bem com a homossexualidade. Muitas pessoas ouvidas por Pitts e que eram próximas ao duo garantem que o amor entre eles era totalmente platônico. Mesmo assim, embora muito tenha sido publicado sobre Jack Kennedy ao longo dos anos, muito pouco se sabe sobre sua duradoura amizade com Lem.
Pitts conta a história com a ajuda de um notável legado de centenas de cartas e telegramas trocados entre Jack e Lem, anteriormente indisponíveis, os documentos foram colocados na Biblioteca John F. Kennedy em 2003. A história começa com os seus primeiros anos na escola, segue através de Princeton, Europa, a Segunda Guerra Mundial, a rápida ascensão política de Kennedy e seu tempo na Casa Branca. Mais de cinquenta fotografias ilustram o livro, a maioria das quais são de Jack e Lem em diversas fases das suas vidas e que nunca foram vistos antes pelo público.
Enquanto Jack foi presidente, Lem sequer tinha o seu próprio espaço na Casa Branca, ele ia lá, apenas nos finais de semana. Apesar de ter sido um amigo pessoal, nunca ocupou uma posição na administração Kennedy, mas era altamente valorizado por Jack, o suficiente para discutir com ele os grandes acontecimentos da sua presidência, incluindo a Crise Cubana de 1962, sua cólera com a CIA e os seus chefes e sobre a sua relutância em comprometer as forças armadas americanas em vários conflitos. O autor traça um perfil de uma grande amizade tendo como pano de fundo alguns dos acontecimentos mais notáveis do século XX, um momento ímpar de idealismo, mas também de galopante homofobia.
O livro termina com um capítulo sobre a vida de Lem após Dallas, quando ele admitiu ter amado John Kennedy profundamente. Um dos antigos namorados de Lem contou numa entrevista ao New York Post que ninguém, nem mesmo Jackie Onassis, amou tanto John Kennedy como seu melhor amigo. 'Billings amou Kennedy em toda sua vida, desde os anos 30. Billings foi a única pessoa que o amou incondicionalmente, que não queria nada dele exceto estar com ele. E John Kennedy reconheceu isso'. Já Gore Vidal, escritor, gay assumido e primo do falecido John Kennedy, pensa de maneira diferente. Para ele, Kennedy via o amigo como um cara que levava seu casaco e que fazia pequenos serviços. Para Jack, Lem era como seu amigo idiota.'
'Jack fez uma grande diferença em minha vida. Devido a ele, eu nunca fui solitário. Ele pode ter sido a razão pela qual eu nunca me casei. Quero dizer, eu poderia ter tido uma esposa e família.' (Lem Billings)
'Dos nove ou dez homens que estavam próximos do presidente, eu diria que Lem foi número um. É difícil descrevê-lo como apenas um amigo; era uma completa libertação do espírito humano. Penso que isso é o que Lem fez para o presidente Kennedy.' (Eunice Kennedy Shriver)
'A razão para Lem foi Jack. Qual era a ligação? Eu acho que ambos partilhavam a mesma compreensão do que era tudo sobre a vida.' (Charlie Bartlett, jornalista)
'Uma pessoa que ele mais amou foi afastada dele por um assassino.' (Sigrid Gassner, assistente durante 1970)
'Lem ajudou-me ver um JFK que nenhuma quantidade de livros, filmes, fitas e gravações poderiam revelar. Se você algum dia quiser um retrato concluído de John F. Kennedy, olhe um pouco mais, por sob a superfície da pintura existe o retrato de Lem Billings.' (Jamie Wyeth, artista)
'Eu estava em sua casa em cada semana que ele foi presidente. No mundo, por trinta anos, Jack era a pessoa mais próxima a mim.' (Lem Billings)
Deve ter sido tanto o céu como o inferno para Lem, condenado, por amor, a dedicar sua vida a Jack.
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Mara*
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categoria: livro e abajur










