frase do dia: ‘a homofobia é mais uma constatação da perda da ternura no mundo, ser
preconceituoso com os LGBTs é retroceder; além de prejudicar o crescimento humano.’

(letícia spiller - atriz brasileira)

última atualização: 19/08/2009 20:36:42

domingo, 23 de dezembro de 2007

livro: jack & lem

sub-titulo: John F. Kennedy and Lem Billings: The Untold Story of an Extraordinary Friendship
autor: David Pitts
editora: Carroll & Graf

O livro, de autoria de David Pitts, jornalista, documenta a jornada de amizade, durante quase trinta anos, entre o gay assumido Kirk LeMoyne Billings, mais conhecido por seu apelido Lem, e o presidente mais carismático que já comandou os Estados Unidos, John F. Kennedy.

Conta como os dois se conheceram em Choate, no ano de 1933, e rapidamente se tornaram amigos inseparáveis até o assassinato fatal numa tarde ensolarada em Dallas em 1963. Os dados apresentados indicam que Jack descobriu que Lem era homossexual logo no início da amizade, no entanto, Jack não rejeitou Lem, pelo contrário, a amizade cresceu e sobreviveu contra as probabilidades.

É uma biografia como poucas: além de sua função de entendimento histórico, serve para demonstrar como um dos homens mais poderosos da história norte-americana lidava bem com a homossexualidade. Muitas pessoas ouvidas por Pitts e que eram próximas ao duo garantem que o amor entre eles era totalmente platônico. Mesmo assim, embora muito tenha sido publicado sobre Jack Kennedy ao longo dos anos, muito pouco se sabe sobre sua duradoura amizade com Lem.

Pitts conta a história com a ajuda de um notável legado de centenas de cartas e telegramas trocados entre Jack e Lem, anteriormente indisponíveis, os documentos foram colocados na Biblioteca John F. Kennedy em 2003. A história começa com os seus primeiros anos na escola, segue através de Princeton, Europa, a Segunda Guerra Mundial, a rápida ascensão política de Kennedy e seu tempo na Casa Branca. Mais de cinquenta fotografias ilustram o livro, a maioria das quais são de Jack e Lem em diversas fases das suas vidas e que nunca foram vistos antes pelo público.

Enquanto Jack foi presidente, Lem sequer tinha o seu próprio espaço na Casa Branca, ele ia lá, apenas nos finais de semana. Apesar de ter sido um amigo pessoal, nunca ocupou uma posição na administração Kennedy, mas era altamente valorizado por Jack, o suficiente para discutir com ele os grandes acontecimentos da sua presidência, incluindo a Crise Cubana de 1962, sua cólera com a CIA e os seus chefes e sobre a sua relutância em comprometer as forças armadas americanas em vários conflitos. O autor traça um perfil de uma grande amizade tendo como pano de fundo alguns dos acontecimentos mais notáveis do século XX, um momento ímpar de idealismo, mas também de galopante homofobia.

O livro termina com um capítulo sobre a vida de Lem após Dallas, quando ele admitiu ter amado John Kennedy profundamente. Um dos antigos namorados de Lem contou numa entrevista ao New York Post que ninguém, nem mesmo Jackie Onassis, amou tanto John Kennedy como seu melhor amigo. 'Billings amou Kennedy em toda sua vida, desde os anos 30. Billings foi a única pessoa que o amou incondicionalmente, que não queria nada dele exceto estar com ele. E John Kennedy reconheceu isso'. Já Gore Vidal, escritor, gay assumido e primo do falecido John Kennedy, pensa de maneira diferente. Para ele, Kennedy via o amigo como um cara que levava seu casaco e que fazia pequenos serviços. Para Jack, Lem era como seu amigo idiota.'

Algumas citações do livro

'Jack fez uma grande diferença em minha vida. Devido a ele, eu nunca fui solitário. Ele pode ter sido a razão pela qual eu nunca me casei. Quero dizer, eu poderia ter tido uma esposa e família.' (Lem Billings)

'Dos nove ou dez homens que estavam próximos do presidente, eu diria que Lem foi número um. É difícil descrevê-lo como apenas um amigo; era uma completa libertação do espírito humano. Penso que isso é o que Lem fez para o presidente Kennedy.' (Eunice Kennedy Shriver)

'A razão para Lem foi Jack. Qual era a ligação? Eu acho que ambos partilhavam a mesma compreensão do que era tudo sobre a vida.' (Charlie Bartlett, jornalista)


'Uma pessoa que ele mais amou foi afastada dele por um assassino.' (Sigrid Gassner, assistente durante 1970)

'Lem ajudou-me ver um JFK que nenhuma quantidade de livros, filmes, fitas e gravações poderiam revelar. Se você algum dia quiser um retrato concluído de John F. Kennedy, olhe um pouco mais, por sob a superfície da pintura existe o retrato de Lem Billings.' (Jamie Wyeth, artista)

'Eu estava em sua casa em cada semana que ele foi presidente. No mundo, por trinta anos, Jack era a pessoa mais próxima a mim.' (Lem Billings)


Deve ter sido tanto o céu como o inferno para Lem, condenado, por amor, a dedicar sua vida a Jack.

3 comentários:

O Profeta disse...

Para ti que me visitaste
Ao longo destes poucos meses
Ofereço-te uma prenda singela
Uma estrela de mil cores

Roubei-a ao firmamento
Deposito-a na tua mão
Para que neste Natal
Te ilumine o coração

Um Santo e Mágico Natal


Doce beijo

Camila disse...

Olá querida, muito obrigada pela visita, muito show tb seu blog, *detalhe, adorei o slide, muito lindo estari sempre por aqui, tô te linkando lá tb e desejo a vc òtimas festas e um belíssimo fim de ano e recoemço de vida.bjão até a próxima vez..

Marcelo Novaes disse...

Oi, Mara!

Belo trabalho informativo, crítico e de pesquisa, e com bela apresentação.

Parabéns, e uma boa entrada de ano pra vc.

Beijão,


Marcelo Novaes