frase do dia: ‘a homofobia é mais uma constatação da perda da ternura no mundo, ser
preconceituoso com os LGBTs é retroceder; além de prejudicar o crescimento humano.’

(letícia spiller - atriz brasileira)

última atualização: 19/08/2009 20:36:42

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

o enigma bissexual

bissexualidade

Amor. É a isso que diz respeito, em última instância, a bissexualidade. São pessoas que, como o escritor modernista Mário de Andrade afirmou com poesia e propriedade, um dia descobriram poder relacionar-se sexualmente com árvores e seres humanos de ambos os sexos. Gente que abre seus corações de uma maneira tão abrangente que dentro deles cabe qualquer sexo. A bissexualidade existe desde que o mundo é mundo. A história mostra passagens já na Grécia antiga. Personagens célebres, das mais variadas épocas, mostraram, ainda que discretamente, a sua bissexualidade.


eleanor rooseveltAnaïs Nin

Eleanor Roosevelt, mulher do presidente Franklin Delano Roosevelt, o criador do ‘american way of life’, viveu um caso de amor tórrido com sua secretária, em plena Casa Branca. Era proibido comentar, mas todo mundo sabia. Antes, nos loucos anos 20, a escritora Anaïs Nin, uma das amantes do escritor Henry Miller, já se relacionava com June, a mulher dele. No cinema, a atriz sueca Greta Garbo ficou conhecida por sua ambiguidade sexual, escondida com a mesma aura de mistério que trazia nos olhos. Ela jamais assumiria a postura da atriz inglesa Emma Thompson, que revelou o desejo de beijar a boca de Michelle Pfeiffer. Manifestações como essas que no passado poderiam custar, no mínimo, uma carreira, hoje já não causam tanto espanto.

Emma Thompsonemma thompsonNos Estados Unidos, os que assumem a sua bissexualidade se reúnem em movimentos com força e identidade próprias. Praticamente todas as escolas e universidades americanas possuem agremiações de bissexuais. A cantora Madonna deixou bem clara sua postura no filme ‘Na cama com Madonna’ e no livro ‘Sex’. Se no filme as cenas são mais propriamente insinuadas, no livro ela aparece em fotos íntimas com a atriz Isabella Rossellini e várias modelos. Nos passos da rainha pop, a top-model americana Rachel Williams e a atriz Drew Barryrnore, a outrora angelical menina do filme ‘E.T.’, já se declararam abertas as novas experiências que o contato com pessoas do mesmo sexo pode trazer.

madona e isabella rossellinimichelle pfeifferO verbo que eles usam para definir seu comportamento é transitar. Não se trata de uma orientação sexual solidificada, mas de uma espécie de abertura aritmética: cortejar ambos os sexos amplia em 50% as possibilidades de encontrar um parceiro. Se você consegue aceitar a idéia de que tem um lado feminino e outro masculino, fica mais fácil encontrar o outro, é o que afirmam.

Tal abertura no leque afetivo é capaz de gerar a princípio uma sensação de insegurança nos parceiros. Como se a bissexualidade significasse poligamia. A sociedade historicamente nunca viu com bons olhos nem compreendeu os bissexuais. Até hoje são qualificados como homossexuais não assumidos. Estes, por sua vez, os discriminam por considerá-los traidores da causa gay, enrustidos ou libertinos demais. Por causa disso, os bissexuais são rejeitados em duas frentes. Pelos heterossexuais, por serem gays e pelos gays, por não serem gays o bastante.

rachel williamsdrew barryrnoreTendência, tesão, carinho, curiosidade, circunstância. Esses fatores, juntos ou separados, podem levar uma pessoa a ‘transitar’. Mulheres bissexuais dizem que sentir prazer com um homem é muito mais fácil, mas a relação com uma mulher é mais carinhosa e dócil. Homens bissexuais admitem que, pelas mulheres, sentem uma atração mais sexual, mas com homens, pensam em carinho, afeto e relações duradouras. Muitos acham que ainda não encontraram a pessoa certa, mas acreditam que podem ser tanto um homem como uma mulher.

O próprio termo bissexual é, de certa maneira, um enigma. Muitos heterossexuais já gastaram neurônios, ansiosos com essa questão. Muitos gays também. Alguns sexólogos preferem usar a palavra ambissexual para descrever esta confusão, por tratar-se de uma ambivalência, já que o indivíduo nessa condição não está conseguindo se definir e que haverá um momento em que a pessoa necessariamente tomará um só caminho. A tese não é consensual. Para a maioria dos bissexuais, a escolha é mais circunstancial, sem ser promíscua. Depende do dia, da hora, da pessoa que se deseja. Uma questão de momento.

O processo de descoberta da bissexualidade é diferente para os dois sexos. Há um maior número de mulheres bissexuais do que homens. Para a mulher, a revelação dessa possibilidade não é uma passagem traumática já que são naturalmente mais liberadas e conseguem fazer uma integração entre o sexo e o afeto de maneira mais harmoniosa. Certamente a educação diferenciada, que permite às meninas um comportamento mais carinhoso entre elas próprias, acaba resultando em maior aceitação do sexo com outra mulher.

(fonte: Revista IstoÉ/1358)

4 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Comopsicógrafo do mior mago esotérico oportunista e mestre na fina arte do tantrismo dialético da atualidade vos digo: A bisexualidade feminina conjuntamente com um mantra entoado por um mestre tântrico é uma combinação perfeita para se alcançar a conexão com o divino nirvânico.

Agradeço sua visita

Fabíola disse...

Annn?
Sinceramente eu não entendo a bissexualidade,acho que não existe nada mais complicado...
Cada qual com seu cada qual não é?

Angie disse...

Olá!
Adorei o post e o blog!
Tomei a liberdade de pegar este texto e colocar no meu blog (com os devidos créditos, claro!)
Beijos e Parabens!

L.Gris disse...

Adorei o texto. Sou lésbica, acredito que assumir uma identidade fixa é questão de afirmação, principalmente para as pessoas que levantam bandeiras, como eu, que milito no movimento de lésbicas, mas identidade fixa é contraditório... acredito que somos potencialmente bissexuais, porém os controles sociais não nos permite que sejamos.