frase do dia: ‘a homofobia é mais uma constatação da perda da ternura no mundo, ser
preconceituoso com os LGBTs é retroceder; além de prejudicar o crescimento humano.’

(letícia spiller - atriz brasileira)

última atualização: 19/08/2009 20:36:42

terça-feira, 30 de outubro de 2007

oficiais americanos saem do armário

Dois brigadeiros-generais e um almirante reformados americanos declaram publicamente, serem homossexuais. Keith H. Kerr e Virgil A. Richard, do Exército, e o almirante Alan M. Steinman, da Guarda Costeira, tomaram a decisão para expor sua postura contrária à política do silêncio vigente das Forças Armadas em relação à homossexualidade de seus oficiais. “Don´t ask, don’t tell” (não pergunte, não fale), foi instituída como lei pelo presidente Bill Clinton, a política admite homossexuais no quadro militar americano desde que não assumam publicamente sua orientação sexual. Os três afirmaram que para poder servir o país foram forçados a mentir sobre sua vida pessoal para amigos, colegas e familiares. O que seria um paradoxo aos valores intrínsecos das Forças Armadas: verdade, honra, dignidade, respeito e integridade. 'Negaram-me a oportunidade de compartilhar a vida com uma pessoa querida para ter uma família e fazer tudo como os heterossexuais americanos. Este foi o sacrifício que fiz para servir ao meu país', declarou o almirante Steinman. A revelação dos três oficiais, devido ao grau de importância de suas patentes, encontra paralelo no famoso episódio protagonizado pela coronel Margarethe Cammermeyer (foto), em 1992, quando revelou ser lésbica.

Margarethe, uma enfermeira do exército com 24 anos de serviço e condecorada com uma medalha de bronze no Vietnã, apaixona-se por uma artista, e está começando um doutorado e tem um emprego no Hospital dos Veteranos do Exército. Durante uma entrevista de verificação de segurança, necessária para uma promoção, em que as informações são estritamente confidencia, ela admite ao serviço militar sua condição de lésbica - uma resposta que vai colocá-la numa luta pela manutenção de seu posto nas Forças Armadas. O exército começa um processo que leva à sua exoneração. Exposta às luzes pela imprensa, ela vê sua privacidade escancarada ao público e inicia uma verdadeira batalha pela preservação dos direitos humanos. Com a ajuda da família, companheira e da organização LAMBDA (auxilia gays, lésbicas, bissexuais e trangêneros quando afetados pela violência, homofobia, desigualdade e outros fatores), ela decide lutar pelos seus direitos. Estão em risco não apenas seus anos de carreira militar, mas seu amor pelos filhos, o respeito dos amigos e seu próprio. A coronel foi afastada da Guarda Nacional, e depois reintegrada e sua história de transformou em filme ('Serving in Silence: The Margarethe Cammermeyer Story', com Glenn Close no papel principal).

Em 1943, a sargenta Johnnie Phelps (foto) recusa-se a demitir lésbicas de seu batalhão, na Segunda Guerra Mundial, a pedido do presidente Eisenhower. Responde ao presidente que, se tiver que dispensar as homossexuais, ficaria sem nenhum efetivo. Eisenhower retira a ordem e as lésbicas continuam a servir o exército americano.

Declaração da sargenta Johnnie Phelps, respondendo à ordem do presidente dos Estados Unidos: 'Sim senhor. Se o General quiser, eu ficarei feliz em realizar a investigação. Mas, senhor, será injusto da minha parte não comunicar-lhe que meu nome estará no topo da lista. O senhor também deve estar ciente de que terá que substituir todas as funcionárias do arquivo, as chefes de seção, a maior parte das comandantes e todo o time de motoristas. Eu acho que o senhor deveria levar em consideração que não tem havido casos de gravidez ilícitos, nenhum caso de doença venérea, e o próprio General já premiou membros deste destacamento com medalhas por boa conduta e serviço prestado.' O General Eisenhower respondeu: 'Esqueça a ordem'.

Segundo dados da Rede de Defesa Legal de Militares, entidade de defesa homossexual americana que acompanha processos da Justiça Militar em todo país, quase dez mil militares americanos já foram dispensados por serem homossexuais.

No começo de junho de 1996 um documento do Pentágono, que incluía a homossexualidade em uma lista de "certos distúrbios mentais" chegou à imprensa, anunciando que não considera mais a homossexualidade como um distúrbio mental. A Associação Psiquiátrica Americana, parlamentares ligados aos direitos de gays e ativistas importantes do país, pediram ao Departamento de Defesa que alterasse essa definição. O tal documento colocava a homossexualidade na mesma lista que o retardamento mental, os distúrbios compulsivos e os distúrbios de personalidade. Apesar de tirar a homossexualidade de sua lista de transtornos mentais, o Pentágono não tem planos de mudar sua política de rejeitar homossexuais nas Forças Armadas.

2 comentários:

Ruana S. disse...

Eles têm mais é que saírem do armário mesmo, quanto mais gente de bem, bem colocada, mais visibilidade para a causa GLBT.

Sergio disse...

Armário??? Ih, fora! Ih, fora! Fora do Armário - esse é o meu blog: www.gls.zip.net

Passa lá! E parabéns pelo seu extraordinário blog. Tomei a liberdade de fazer um merchandising lá no meu. Confira.

Beijo,
Sergio
www.gls.zip.net