frase do dia: ‘a homofobia é mais uma constatação da perda da ternura no mundo, ser
preconceituoso com os LGBTs é retroceder; além de prejudicar o crescimento humano.’

(letícia spiller - atriz brasileira)

última atualização: 19/08/2009 20:36:42

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

antony hegarty



se você clicar na setinha vai ouvir ‘Blind’, uma canção muito, muito cool, e um dos maiores sucessos wébicos de 2008. Interpretada e composta por Antonny com a dupla ‘Hercules & Love Affair’ do DJ americano Andrew Butler.

Antony Hegarty é um cantor e pianista inglês, que depois de passar sua adolescência na Holanda e, posteriormente, na Califórnia, com 19 anos mudou-se para New York, cidade classificada, por seu professor de arte performática, como se estivesse sendo banido para uma ilha de leprosos, como um lugar para pessoas como ele. Interessado pela vanguarda artística e os travestis, New York era mesmo o lugar dele.

No lendário bar de drag-queens e travestis ‘Pyramid Club’, transforma-se numa estrela e lá cria a banda ‘Antony and The Johnsons’, banda de formação pouco convencional que mistura guitarra, baixo, dois violinos, cello, além do piano de Antony. Suas referências musicais sempre foram cantores de vozes fortes como Billie Holliday, Nina Simone, Klaus Nomi, cantor contra-tenor e barítono alemão, que transformou-se em um cantor cult novaioquino, mas a imagem e a figura de Boy George talvez seja sua maior inspiração.

Em NY ele se achou. E era mesmo uma ‘ilha de leprosos’. Vivendo na comunidade infectada pela Aids, Antony viu desaparecer muitos de seus possíveis mentores. Este clima de morte, desespero, abandono, sexualidade, transformação e transexualismo foram determinantes na definição de seu estilo. O pianista adota um visual andrógino e aborda em suas músicas, como na canção ‘For Today I Am a Boy’ (por hoje sou um garoto), temas como a transexualidade.

'One day I’ll grow up, I’ll be a beautiful woman
One day I’ll grow up, I’ll be a beautiful girl
But for today I am a child, for today I am a boy.'


Usa perucas, maquiagens coloridas e derretidas, sobrancelhas mal desenhadas. E a androginia acompanha a voz, que é inclassificável, mas marcante que se esconde por trás de uma perfomance exótica e arrebatadora e um olhar ao mesmo tempo melancólico e esperançoso.

Hoje Antony é um ícone independente. Sua carreira arrebata admiradores em todo mundo. A primeira impressão que se tem ao ver os integrantes da banda ‘Antony and The Johnsons’ preparados para tocar é de que será uma apresentação austera, mas Antony logo cria um clima de empatia e descontração com piadas sobre os integrantes da banda e um discurso feminista: 'Meu mundo perfeito tem 75% de mulheres acima de 60 anos em posições de poder', para depois, com sonoridade e atmosferas dark, presentear com seu timbre que recende a uma mistura de cola e areia na garganta, canções interpretadas com dor e melancolia arrebatadoras.

Canções que sangram, mas apenas para provar vida. Pranteiam, mas a lágrima é lambida. Sorriem, pois nem só de gritos se faz uma libertação. Reza a lenda no mundo pop que Antony fez Lou Reed chorar. Ele viu em Antony um herdeiro legítimo das dores registradas nas suas composições. Antonny estreou no filme ‘Leonard Cohen: I'm Your Man’, documentário sobre o lendário cantor norte-americano.

Quer seja ouvindo Antonny, agora também numa pista de dança, quer seja ouvindo suas esperanças ou sobre o seu limbo de androginia como na canção 'You Are My Sister', o piano abraça tudo o que jorra das palavras honestas de Antony.


Um comentário:

VAN disse...

LINDO! DE PRONTO ME IDENTIFIQUEI.NESTE MUNDO LOUCO ,CONFUSO,ESTÚPIDO ,BUSCAR SEU LUGAR,SUA TRIBO É QUESTÃO DE SOBREVIVENCIA(PODE NAO SER TUDO,O MELHOR(GUETO É PROBLEMA!)MAS COMO FORMA DE SE SENTIR MAIS ACEITO(A),É UMA OPÇÃO. mUITO BOM.aBRAÇOS.