frase do dia: ‘a homofobia é mais uma constatação da perda da ternura no mundo, ser
preconceituoso com os LGBTs é retroceder; além de prejudicar o crescimento humano.’

(letícia spiller - atriz brasileira)

última atualização: 19/08/2009 20:36:42

segunda-feira, 18 de maio de 2009

homenagem a um gay: pierre verger

o mensageiro entre dois mundos

pierre verger

Pierre Édouard Léopold Verger nasceu em Paris, em1902, filho de uma abastada família de origem belga e alemã, teve uma juventude confortável e todos os namorados que quis. Sempre teve idéias igualitárias em relação às pessoas, se opondo às idéias preconceituosas da sociedade em que vivia. Em 1932, aos 30 anos, sem o pai e com a morte da mãe, decidiu que não viveria além dos 40 anos: se o seu fim não fosse natural, deveria ser pelo suicídio. Descobriu, então, suas duas paixões: a fotografia e as viagens.


pierre vergerCom uma câmera e noções de fotografia aprendidas com o amigo Pierre Boucher, partiu para o Taiti. De 1932 a 1946, muitas foram as viagens ao redor do mundo, e para sobreviver negociava as suas fotografias com agências de turismo, centros de pesquisa e jornais. Em 1946 desembarcou no Brasil, mais especificamente em Salvador, Bahia, seduzido pelos homens, pela calma, pela hospitalidade e pela cultura do povo que ali encontrou, a sede insaciável de rodar o mundo esvaiu-se e decidiu que seria aqui, no Brasil, a sua nova pátria.


Estudando essa cultura tão sedutora, Pierre descobriu que entre os séculos XVIII e XIX, quase um milhão de ‘iorubás’ tinham sidos presos pelos portugueses e trazidos como escravos ao Brasil. E junto com eles veio a religião, o ‘calundu’. Os ‘iorubás’, que viviam na Nigéria, adoravam o deus supremo ‘Olodumare’ e, abaixo dele, os orixás, deuses ligados à natureza tão presentes na água, no fogo, no ar e na terra. Ainda na África, os 'iorubás' receberam influência de um outro povo, os ‘jejes’ e adotaram o culto dos seus deuses, os voduns, que passaram a ser considerados orixás também. E assim se formou a religião dos ‘iorubás’, que foi trazida nessas condições ao Brasil. E no Brasil, como qualquer religião além da católica era proibida, os escravos associaram cada divindade de sua religião a algum santo católico, transformando o calundu no candomblé.

Encantado e apaixonado pela história dos afrodescendentes, através de uma bolsa de estudos Pierre Verger foi estudar a cultura ‘iorubá-jeje’ na própria África Ocidental, em 1948. Lá, em 1953, foi iniciado na religião dos povos ‘iorubás’ como babalaô (‘pai do segredo’) e recebeu o nome de Fatumbi (‘nascido de novo graças ao Ifá’), sendo o ‘Ifá’ um oráculo daquela crença.

As pesquisas realizadas por ele sobre a história, os costumes e a religião praticada pelos povos ‘iorubás’ e seus descendentes, na África e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de sua obra e foram extremamente importantes para a história do Brasil. Além de uma vasta pesquisa fotográfica para o ‘Instituto Francês da África Negra’, começou a escrever suas impressões. Como colaborador de várias universidades, registrou suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Nos anos 1960 seu trabalho foi reconhecido internacionalmente e ele recebeu o título de doutor pela ‘Universidade Sorbonne’.

Em 1973, a pedido do governo brasileiro, Verger começou a organizar o ‘Museu Afro-Brasileiro da Bahia’, em Salvador, cuja direção foi assumida pela ‘Universidade Federal da Bahia’. E para garantir a sobrevivência do seu acervo, contendo mais de 65 mil negativos de suas fotos, em 1988, Pierre transformou a própria casa num centro cultural, criando a ‘Fundação Pierre Verger’ (FPV), da qual era presidente, mantenedor e doador. Embora os amigos mais íntimos soubessem, Pierre só resolveu assumir a sua homossexualidade na velhice. Ele morreu em Salvador, em 1996, aos 93 anos.

A produção fotográfica-etnográfica de Pierre Verger dedicada às culturas africana e afro-brasileira é amplamente conhecida no livro ‘Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo’, de 1981. Dentre os seus trabalhos iniciais, talvez o menos difundido, seja a obra fotográfica realizada por ele no Japão, em 1934, a serviço do jornal francês Paris Soir, seu primeiro trabalho como fotógrafo profissional. Verger permaneceu no Japão por um mês, registrando instantâneos do cotidiano rural e urbano das regiões de Tóquio, Quioto, Nara, Oshima, em um país que se modernizava, contudo, mantendo a tradição. Fotos de Pierre no Japão estão reunidas na obra ‘O Japão de Pierre Verger’ lançado quando da comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil.



(fonte: Fundação Pierre Verger, de onde retirei as fotos e informações)

5 comentários:

Gá Agulhinha disse...

Ainda não conhecia o Pierre! A cultura Africana realmente é interessante! Parabéns pra ele, que quis se aprofundar mais nesse mundo fascinante!! Sem contar o Japão, outra cultura que muito me interessa!
Muito bom esse Post, mais uma história boa pra saber.
Parabéns pelo blog viu! Você virou seguidora do meu e eu acabei de virar seguidora do seu.
Volte mais vezes!!!

Ah, está linkada na minha página! Vou acompanhar o seu... =]

Beeeeijos
Gá! ;*

Gá Agulhinha disse...

Concordo com você!
O que seria de nós sem os suspiros?
Obrigadar por linkar o meu!

Beeeeijos
Gá! ;*

llola disse...

oi marinha
olha to de lay novo e ta dando pra comentar agora obrigada pelo aviso cheros linda.

Laila Braga disse...

Relaxe queria... hehehehehehe... Essas coisas acontecem ;)

llola disse...

amo fotografia mara e olha as fotos de pierre verge são lindas amei o slide e olha ele fazia parte do comdomble do meu pai, amei o post.