São plausíveis os rumores de que John Edgar Hoover, o poderoso chefão do FBI desde 1924 até sua morte em 1972, era mulato e racista, gay e homofóbico. Ele e seu homem de confiança, Clyde Tolson, foram constantes companheiros durante mais de 40 anos, mesmo nas férias ficavam juntos, e ambos permaneceram solteiros até a morte. Muitas pessoas sentiam que a relação que existia entre Hoover e Tolson, era mais que uma amizade, os dois nunca viveram juntos, mas eles estão enterrados lado a lado no cemitério do Congresso em Washington. A história, primeiramente, apareceu na biografia feita pelo jornalista britânico Anthony Summers.
O jornalista baseou-se na informação de Susan Rosenstiel, quarta esposa de Lewis Rosenstiel, presidente da ‘Schenley Industries’. No FBI o casal era conhecido como ‘J. Edna and Mother Tolson’. No entanto, homossexuais famosos da época como Truman Capote, referiam-se a eles como ‘Johnny and Clyde’. Quando J. Edgar Hoover morreu em maio de 1972, deixou quase toda a sua herança para seu companheiro de longa data e Tolson também assumiu o controlo de seus arquivos secretos. Tolson quando foi aposentado do FBI e de acordo com seus amigos, as únicas vezes que saía de casa era para visitar o túmulo de Hoover.
A história toda é contada pela jornalista Thereza Pires
Racista dos mais violentos, perseguidor de comunistas ou simpatizantes, torturador de jornalistas, editores e militantes dos direitos civis, o abominável chamava-se John Edgard Hoover. Teria nascido em 1º de janeiro de 1895, filho de gente da classe média - existem controvérsias - e falecido, de verdade, em 2 de maio de 1972. Seu avô, pai, sobrinho e irmão trabalharam para o governo. Mas ninguém na família - e no serviço público norte-americano - até hoje teve tanta importância. Chefiou com mão de ferro, durante 48 anos, o FBI. No governo do Presidente John Calvin Coolidge, sabe-se lá por que razão obteve o cargo vitalício.
Serviu a oito presidentes (de Coolidge a Richard Nixon), sendo mais poderoso que todos eles e confidente de muitos. Criou uma polícia paralela que usava meios ilegais para vigiar não só criminosos, mas todos aqueles que sua paranóia identificava como ‘inimigos do sistema’. Foi o idealizador do ‘National Crime Laboratory’ e do ‘National FBI’, ainda hoje o melhor curso de pós-graduação policial do mundo.
Especializado em dissolver movimentos de liberação dos homossexuais, manteve durante 40 anos uma relação estável com seu vice no organograma: Clyde Anderson Tolson. Rumores contam que o mafioso Meyer Lansky para calar a boca do FBI a respeito das suas atividades criminosas, usou fotos que comprovavam a homossexualidade de Hoover, ele e Clyde fazendo sexo em uma praia. E, tudo indica que o racista também era afro-americano. A publicação de um livro de autoria de uma descendente de escravos do Mississipi reabriu a questão.
O livro do jornalista Anthony Summers, ‘Official and Confidential’, contém uma entrevista com Gore Vidal onde o escritor declara que Hoover ia ficando famoso e todo mundo em Washington sabia que ele era mulato e de uma família que vinha clareando através das gerações e dos casamentos mistos. Wesley Swearingen, um agente especial reformado do FBI é autor de ‘Secrets: An Agent's Exposé’ e conta que, apesar de exigir de todos os ‘G Men’ uma espécie de atestado de raça branca, Hoover, misteriosamente, nunca ofereceu um documento melhor do que a certidão de nascimento tirada aos 43 anos, após a morte da mãe, óbvia testemunha. Millie McGhee em seu livro ‘Secrets Uncovered’, reeditado como ‘Secrets Uncovered: J. Edgar Hoover - Passing for White?’ afirma que as raízes de J Edgar vinham de Maryland, da união de uma escrava tão clara que podia se passar por branca e seu senhor.
A Operação Fruehmenschen
Em janeiro de 1988, o deputado Mervyn Dymally inseriu nos anais do Congresso Americano uma declaração juramentada do ex-agente Hirsch Friedman sobre a ‘Operação Fruehmenschen’ (em alemão, frueh = primitivos e menschen = seres humanos). Palavras do agente Friedman: O objetivo desta polícia paralela era investigar as causas da promoção de oficiais e eleição de candidatos negros nas maiores cidades. Cerca de 300 ‘seres humanos primitivos’ foram investigados. Hoover não acreditava que negros tivessem capacitação social ou intelectual para dirigir instituições ou participar de organizações governamentais.
Tornou-se famoso e temido pelas perseguições contra membros do Partido Comunista. Nos anos 50, mergulhou de cabeça no Macartismo ou a ‘Era do Pânico Vermelho’, um movimento conservador e anti-comunista ocorrido nos Estados Unidos entre 1950 a 1954 liderado pelo senador Joseph McCarthy e seus adeptos. Hoover usou e abusou da delação e da intimidação e se dedicou a infernizar a vida de comunistas e simpatizantes, causando suicídios, provocando exílios voluntários e encerrando carreiras promissoras nas artes e no cinema.
A obsessão do chefão do FBI era centrada ‘no espectro do casamento interracial’, nas escolas mistas, nos menos de 1% de agentes negros do FBI e, sobretudo, na figura carismática de Martin Luther King. Uma campanha infamante foi deflagrada para destruir o líder, usando chantagem e sugerindo que o suicídio do religioso seria a melhor saída quando certas fitas comprometedoras fossem liberadas. Em 4 de abril de 1968, dia do assassinato de Luther King, foram ouvidos gritos ‘jubilosos’ no quartel general do FBI em Atlanta.
Enquanto perseguia comunistas, simpatizantes e negros, liderou uma campanha homofóbica, com ênfase na destruição da ‘Mattachine Society’, uma das primeiras organizações pelos direitos dos gays, sediada em San Francisco, com infiltração de agentes e uso de fotos, filmagens e gravações. Tudo isso, provavelmente, com a finalidade de esconder a própria homossexualidade, avalizada em 1943 por um memorando interno da autarquia da qual era o chefe.
Elegantíssimo, conhecido pelos impecáveis ternos brancos, J. Edgar Hoover colecionava antigüidades e viveu com a mãe até os 42 anos. Jamais foi visto na companhia de uma mulher. Sua roda era composta só de homens e teve uma relação de 40 anos com o belo Clyde Tolson, o segundo na hierarquia do FBI. Hoover e Tolson viajavam juntos, tomavam café da manhã juntos, trabalhavam juntos, saíam juntos, se divertiam juntos, almoçavam e jantavam juntos e eram descritos pelos próximos como um verdadeiro casal.
Clyde Tolson nasceu no Missouri, em 1900. Quando obteve a licenciatura em Direito pediu para aderir ao 'Federal Bureau of Investigation' (FBI), mas foi rejeitado. Ele tentou novamente no ano seguinte e desta vez a sua foto e formulário de candidatura foram vistos por J. Edgar Hoover e imediatamente Tolson foi contratado e rapidamente promovido, e após três anos, foi nomeado diretor adjunto do FBI. Tolson Clyde, ‘alter ego e alma gêmea’ de Hoover, o substituiu na chefia do FBI a partir de 1972, quando um super infarto do miocárdio matou o seu companheiro. Mas, foi substituído, no dia seguinte, por Louis Patrick Gray e deixou o FBI duas semanas depois, quando se mudou para a casa de Hoover e se dedicou a cuidar do inventário e espólio do qual era o único herdeiro. Clyde morreu em 1975 e os dois estão enterrados no mesmo túmulo. Que as Montanhas Rochosas lhes sejam leves.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
j. edgar hoover e clyde tolson
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domingo, 9 de agosto de 2009
homenagem a uma lésbica: audre lorde
Audre Geraldine Lorde também conhecida como Gamba Adisa foi aclamada pela crítica como novelista, poetisa e ensaísta. Foi uma dessas poetisas feministas contemporâneas como Sylvia Plath e Adrienne Rich, que expressam a sua feminilidade através da poesia. Ela nasceu em 1924 no Harlem e seus pais eram imigrantes de Granada no Caribe. Audre Lorde foi ativista e deu voz a questões de raça, gênero e sexualidade. Formou-se no Hunter College e na Univerisade de Columbia (1961). Em 1962, ela casou com Edward Rollins, um advogado. Eles tiveram dois filhos, mas se divorciaram em 1970. Mulher
Enquanto continuava os estudos, trabalhou em diversos ramos, em fábricas, como assistente social e técnica de raios-X. Sua descoberta como lésbica foi com uma colega de trabalho de uma fábrica em Connecticut. Frequentou a Universidade Nacional do México por um ano, período de afirmação e de renovação: ela confirmou sua identidade pessoal e artística, como lésbica e poeta. Após seu retorno para Nova Iorque começou a freqüentar o cenário de Greenwich Village, era a única mulher negra nos bares. Trabalhou como bibliotecária, continuou escrevendo e se tornou uma participante ativa na cultura gay, dos direitos civis, anti-guerra e movimentos feministas. Seu primeiro livro de poemas, ‘The First Cities’, foi publicado em 1968. Época em que fez residência no Colégio no Mississippi e conheceu Francisca Clayton, uma professora branca de psicologia. Desse momento em diante, ela e Francisca, compartilharam suas vidas juntas. Com a publicação da sua segunda obra, ‘Cable to Rage’ de 1970, se envolveu com Gloria José, sua companheira até a sua morte em 1992, após 14 anos de uma luta contra um câncer de mama. Além de poeta, Audre Lorde, foi uma poderosa ensaísta e escritora.
(Audre Lorde)
Sonho com um lugar entre os seus seios
para construir a minha casa como um refúgio
onde semeio em seu corpo
uma infinita colheita
onde a rocha mais comum
é a pedra da lua de opala e ébano
que dá leite a todos os meus desejos
e sua noite cai em mim
como uma chuva que nutre.
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quinta-feira, 25 de junho de 2009
homenagem a uma drag queen e a um gay: ru paul e jason wu
A drag queen mais famosa do mundo, RuPaul nasceu em San Diego, Califórnia, em 1960 como Andre Charles. Tornou-se um ícone gay mundial na década de 1990 quando gravou o álbum ‘Supermodel of the World’. Cantora, atriz, modelo, fashion icon, trabalhou com famosos tanto na música, como no cinema ou no mundo da moda. Ainda hoje, visitantes do museu de cera ‘Madame Tussaud’s’, em Nova York, dão de cara com sua estátua, com os mesmos e impressionantes 1,93 m de altura. Temas relacionados:
Ru Paul surgiu para o grande público em 1989, com uma participação no clipe da música ‘Love Shack’, da banda B-52s. Tornou-se um ícone em 1993, com o lançamento da música ‘Supermodel (You Better Work)’, que chegou entre as 100 da Billboard. Desde então, coleciona êxitos. Fez um dueto com Elton John na musica ‘Dont Go Breaking My Heart’ e a famosa ‘It's Raining Men’ ao lado de Martha Walsh. Foi a queridinha de Versace com o qual trabalhou na passarela, foi também o rosto que ilustrou a famosa linha de maquiagem M.A.C., ganhou um talk show na tevê norte-americana em 1996 e foi a primeira boneca transexual da história da indústria de brinquedos, uma boneca da linha ‘Bratz’.
A primeira boneca transexual da história foi lançada em 2005 nos Estados Unidos. Obra de Jason Wu, diretor criativo da ‘Intergrity Toys’, a boneca foi um enorme sucesso. Jason Wu, que na época do lançamento tinha 22 anos, nasceu em Taipei, começou a trabalhar na ‘Integrity Toys’ aos 16 anos após vencer um concurso de design de brinquedos. Aos 18 já havia sido promovido a diretor criativo e sócio da empresa. Ele desenha bonecas desde criança e quando mudou-se para NewYork passou a empregar o estilo newyorker de Manhattan nas bonecas ‘Bratz’ que têm estilos como clubber ou fashionista.
Jason Wu é gay e atualmente é conhecido por ser estilista de Michelle Obama. Jason figura entre os favoritos da primeira-dama dos Estados Unidos. O criador começou a ganhar notoriedade em janeiro, quando um vestido assinado por ele foi usado por Michelle no baile da posse de Obama. A primeira-dama vestiu outro modelo de Wu na capa da ‘Vogue América’ de março e as fotos foram feitas pela fotógrafa lésbica Annie Liebowitz.
ela & ela: susan sontag e annie liebowitz
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sábado, 6 de junho de 2009
homenagem a uma lésbica: jeanette winterson
Jeanette Winterson é poesia em prosa. E talento. E arrojo. E pós-modernismo. E uma das mais importantes escritoras da atualidade. Jeanette Winterson é inglesa, nascida em Manchester, em 1959, foi adotada e criada por pais pentecostais bastante religiosos na vizinha cidade de Accrington, no seio de uma família humilde e sem grande instrução, onde a leitura e os estudos eram considerados supérfluos. A leitura não era bem vista em seu lar, a menos que se tratasse da leitura da bíblia. Seus pais queriam que ela fosse missionária, mas Jeanette Winterson conseguiu inscrever-se numa escola para meninas tendo acabado por sair de casa aos 16 anos, quando se apaixonou por uma garota. Teve que trabalhar em várias cidades e em várias áreas para se sustentar e mais tarde estudou letras na Universidade de Oxford.
Publicou a sua primeira obra, o romance ‘Oranges Are Not the Only Fruit’ em 1985, com 24 anos, e a partir de ‘The Passion’ dedicou-se exclusivamente à literatura em 1987. Algumas das suas obras foram adaptadas para a televisão e o teatro. Em 2006, Jeanette Winterson foi agraciada com a comenda da ‘Order of the British Empire’ por serviços prestados à literatura inglesa. Entretanto, recebeu vários prêmios, ingleses e internacionais, entre os quais o ‘Whitbread Prize’, do Reino Unido, e o ‘Prix d'Argent’, do Festival de Cinema de Cannes. Escreve regularmente em vários jornais ingleses, sobretudo no ‘The Times’ e no ‘The Guardian’.
A obra ‘Inscrito no Corpo’ (Written in the body) é uma intensa elegia àquela paixão que em minuto algum pode se dissociar de sua origem física, carnal, sangüínea, humana e, portanto, de intensidade trágica. Com independência e ousadia Jeanette Winterson mergulha na radicalidade daqueles que vivem em busca do amor ardente e trágico, daqueles que amam com as vísceras, com a carne, com cada centímetro do corpo. É um culto à anatomia da mulher amada, do cheiro, da forma e da cor de cada poro desta mulher, aqui uma mulher casada que não sente nada dessas coisas pelo marido, mas sim pelo amante. O narrador vive a brutalidade das ausências e viaja sempre para este território adorado e perdido: o corpo que lhe desencadeia todos os sentidos de vida e de morte. A prosa erudita de Jeanette Winterson torna-se ainda mais afiada e irônica ao negar ao narrador, ápice do triângulo torrencial, um gênero sexual. Embora o objeto de seu amor seja a mulher casada e especialmente o corpo desta mulher casada, ele por vezes é um homem, por outras é uma mulher e chega a ser ainda um amante de condição sexual indefinida, porém intensa. É um ser humano que se corrói fisicamente com a perda do outro corpo, tão incondicionalmente desejado.
Trecho do livro
'Ela cheira a mar. Ela cheira como as piscinas nas rochas à beira-mar de quando eu era criança. Ela guarda uma estrela-do-mar lá dentro. Eu me curvei para saborear o sal. Para escorregar meus dedos pela orla. Ela se abre e fecha como anêmona-do-mar. Todos os dias ela se enche de marés frescas de anelo.'
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
homenagem a um gay: pierre verger
o mensageiro entre dois mundos Pierre Édouard Léopold Verger nasceu em Paris, em1902, filho de uma abastada família de origem belga e alemã, teve uma juventude confortável e todos os namorados que quis. Sempre teve idéias igualitárias em relação às pessoas, se opondo às idéias preconceituosas da sociedade em que vivia. Em 1932, aos 30 anos, sem o pai e com a morte da mãe, decidiu que não viveria além dos 40 anos: se o seu fim não fosse natural, deveria ser pelo suicídio. Descobriu, então, suas duas paixões: a fotografia e as viagens. (fonte: Fundação Pierre Verger, de onde retirei as fotos e informações)
Com uma câmera e noções de fotografia aprendidas com o amigo Pierre Boucher, partiu para o Taiti. De 1932 a 1946, muitas foram as viagens ao redor do mundo, e para sobreviver negociava as suas fotografias com agências de turismo, centros de pesquisa e jornais. Em 1946 desembarcou no Brasil, mais especificamente em Salvador, Bahia, seduzido pelos homens, pela calma, pela hospitalidade e pela cultura do povo que ali encontrou, a sede insaciável de rodar o mundo esvaiu-se e decidiu que seria aqui, no Brasil, a sua nova pátria.
Estudando essa cultura tão sedutora, Pierre descobriu que entre os séculos XVIII e XIX, quase um milhão de ‘iorubás’ tinham sidos presos pelos portugueses e trazidos como escravos ao Brasil. E junto com eles veio a religião, o ‘calundu’. Os ‘iorubás’, que viviam na Nigéria, adoravam o deus supremo ‘Olodumare’ e, abaixo dele, os orixás, deuses ligados à natureza tão presentes na água, no fogo, no ar e na terra. Ainda na África, os 'iorubás' receberam influência de um outro povo, os ‘jejes’ e adotaram o culto dos seus deuses, os voduns, que passaram a ser considerados orixás também. E assim se formou a religião dos ‘iorubás’, que foi trazida nessas condições ao Brasil. E no Brasil, como qualquer religião além da católica era proibida, os escravos associaram cada divindade de sua religião a algum santo católico, transformando o calundu no candomblé.
Encantado e apaixonado pela história dos afrodescendentes, através de uma bolsa de estudos Pierre Verger foi estudar a cultura ‘iorubá-jeje’ na própria África Ocidental, em 1948. Lá, em 1953, foi iniciado na religião dos povos ‘iorubás’ como babalaô (‘pai do segredo’) e recebeu o nome de Fatumbi (‘nascido de novo graças ao Ifá’), sendo o ‘Ifá’ um oráculo daquela crença.
As pesquisas realizadas por ele sobre a história, os costumes e a religião praticada pelos povos ‘iorubás’ e seus descendentes, na África e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de sua obra e foram extremamente importantes para a história do Brasil. Além de uma vasta pesquisa fotográfica para o ‘Instituto Francês da África Negra’, começou a escrever suas impressões. Como colaborador de várias universidades, registrou suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Nos anos 1960 seu trabalho foi reconhecido internacionalmente e ele recebeu o título de doutor pela ‘Universidade Sorbonne’.
Em 1973, a pedido do governo brasileiro, Verger começou a organizar o ‘Museu Afro-Brasileiro da Bahia’, em Salvador, cuja direção foi assumida pela ‘Universidade Federal da Bahia’. E para garantir a sobrevivência do seu acervo, contendo mais de 65 mil negativos de suas fotos, em 1988, Pierre transformou a própria casa num centro cultural, criando a ‘Fundação Pierre Verger’ (FPV), da qual era presidente, mantenedor e doador. Embora os amigos mais íntimos soubessem, Pierre só resolveu assumir a sua homossexualidade na velhice. Ele morreu em Salvador, em 1996, aos 93 anos.
A produção fotográfica-etnográfica de Pierre Verger dedicada às culturas africana e afro-brasileira é amplamente conhecida no livro ‘Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo’, de 1981. Dentre os seus trabalhos iniciais, talvez o menos difundido, seja a obra fotográfica realizada por ele no Japão, em 1934, a serviço do jornal francês Paris Soir, seu primeiro trabalho como fotógrafo profissional. Verger permaneceu no Japão por um mês, registrando instantâneos do cotidiano rural e urbano das regiões de Tóquio, Quioto, Nara, Oshima, em um país que se modernizava, contudo, mantendo a tradição. Fotos de Pierre no Japão estão reunidas na obra ‘O Japão de Pierre Verger’ lançado quando da comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil.
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quarta-feira, 29 de abril de 2009
homenagem a um transexual: billy lee tipton
Billy Lee Tipton é um nome conhecido de muitos apreciadores de jazz e a sua carreira passou por várias bandas, e, finalmente, a sua própria banda, ‘The Billy Tipton Trio’. Mas foi somente depois da sua morte, que Billy se tornou um dos nomes mais famosos do jazz, quando os enfermeiros da ambulância que o vieram socorrer, lhe tiraram a roupa, e viram um corpo de mulher debaixo de roupas de homem. Não conseguiram salvar a vida de Billy, que morreu na presença de um dos seus filhos adotivos, que não sabia que o nome de batismo do pai era Dorothy Lucille Tipton. Billy nasceu em 1914, em Oklahoma. Os pais divorciaram-se quatro anos mais tarde, e ele passou a viver com uma tia. Começou a mostrar interesse pela música, particularmente pelo saxofone e piano, no colégio, mas não conseguiu entrar na banda da escola, que não admitia meninas. Também encontrou dificuldades para entrar nas bandas locais, que tocavam em bares e cafés, até que, aos 19, passou a vestir-se como homem para apresentar-se nos palcos. A voz de Billy era masculina e ele enfaixava o peito, e usava um pano enrolado para dar volume às calças para que ninguém suspeitasse do seu corpo feminino. Gravou dois LPs artigo sobre Billy após a sua morte; o ‘Billy Tipton Trio’, e a biografia 
Na vida pessoal e para os colegas de banda, até os 36, Billy continuava a apresentar-se como Dorothy. Durante esses anos, viveu com uma mulher, Non Harrell, numa relação que os colegas de banda descreviam como ‘lésbica’. Ainda antes de deixar Harrell a sua carreira floresceu, e Billy tornou-se um nome célebre do jazz. Nenhum dos músicos com quem tocava sabiam da transexualidade do colega. A transição de Billy aconteceu antes das primeiras cirurgias genitais serem feitas, na década de 50, apenas com terapia hormonal e outros procedimentos terapêuticos, sem cirurgia. Usando a justificativa de que um acidente rodoviário tinha desfigurado a sua caixa torácica, por isso era enfaixada, e usando um vibrador, Billy conseguia ter relações sexuais com as suas namoradas, sem que elas percebessem o seu corpo feminino (será?).
A penúltima namorada, e com quem teve a relação mais longa, foi Kitty Kelly, com quem adotou três filhos. Após a morte de Billy, os filhos acusaram a mãe de saber, e esconder deles, a transsexualidade do pai. Quando a relação com Kitty acabou, ele voltou para uma ex-namorada, a artrite o fez abandonar o jazz, e estava quase na miséria. Em 1984, aos 74 anos de idade, Billy sentiu-se mal, e, pensando que não era nada grave, não chamou uma ambulância exatamente para não correr o risco de ver descoberta a sua transexualidade. O estado dele piorou, e um dos filhos adotivos finalmente chamou ajuda. Enquanto os médicos tentavam salvá-lo, o filho descobriu, em choque, que o pai tinha um corpo de mulher. Billy acabou por morrer pouco depois, de hemorragia ulcerosa. A ex-companheira Kitty tentou que o corpo do ex-namorado fosse cremado, para esconder a sua história, mas um dos filhos contou aos jornais, e a vida do pai tornou-se imediatamente objeto da curiosidade pública.
Em homenagem a Billy, depois da sua morte, foi fundado o quarteto de jazz ‘The Billy Tipton Memorial Quartet’. ‘Stevie Wants to Play the Blues’ e ‘The Slow Drag’ foram peças de teatro inspiradas na sua vida. E a cantora lésbica americana Phranc dedicou-lhe a canção ‘Tipton’. As motivações de Billy para fazer a transição continuaram a serem debatidas por muito tempo após a sua morte, e alguns acusaram-no de a fazer apenas para ganhar os privilégios dados somente aos homens, no jazz. Mas, todos os que lhe foram próximos relatam que Billy era simplesmente um homem, um homem que nasceu num corpo de mulher.
'Billy Tipton - Sweet Georgia Brown' e 'Billy Tipton Plays Hi-Fi on the Piano'

‘Suits Me: The Double Life of Billy Tipton’ por Diane Wood Middlebrook


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sexta-feira, 10 de abril de 2009
o esporte no armário
martina navratilova: a prova de que é possível ser gay assumido no esporte, em sociedades desenvolvidas, bem entendido. por aqui, é difícil encararmos a pequenez da nossa sociedade. Ela foi a primeira atleta famosa a declarar-se lésbica para o público, no começo da década de 1980. Nascida na antiga Tchecoslováquia em 18 de outubro de 1956, a já cinquentona Martina Navratilova é a maior ganhadora de prêmios do tênis profissional, entre homens e mulheres. Sua coleção de troféus e títulos é impressionante: um total de 167 títulos no circuito profissional e mais de 20 milhões de dólares ganhos em 21 anos de tênis. No ano 2000, foi colocada na Galeria da Fama do Tênis - é desde então uma imortal! **Lilico, Luiz Cláudio Alves da Silva, morreu em dezembro de 2007, aos 30 anos, em decorrência de um acidente vascular cerebral. Lilico causou polêmica ao ser o primeiro atleta brasileiro de alto rendimento a declarar publicamente que era homossexual. Ele chegou a acusar o então técnico da seleção brasileira, Radamés Lattari, de não tê-lo convocado para disputar os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, apenas por preconceito. Na época, Lilico era um dos destaques da Superliga, e ameaçou até abandonar a carreira. Recuou, no entanto, e foi duas vezes campeão. Os órgãos do jogador foram doados e seu corpo, cremado e as cinzas espalhadas no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, onde Lilico continuava praticando vôlei. Temas relacionados:
Martina sempre surpreendeu por sua coragem de falar sobre a própria homossexualidade em um meio reconhecidamente apavorado com o assunto. Muitos atletas gays não têm o menor problema com sua própria homossexualidade - o problema, eles dizem, é com os patrocinadores. A própria Martina temia perder seus patrocinadores quando teve sua homossexualidade, que todos tomavam como certa, revelada: ‘sempre me disseram para pegar leve para não perder possíveis patrocinadores. Não que eu precisasse fingir ser outra pessoa, mas diziam para eu ficar quieta. Até que, finalmente, eu saquei que não estava conseguindo patrocinadores de jeito nenhum, e eu já estava mesmo cansada de pegar leve... De qualquer maneira, na hora em que se bate o martelo, eles sempre assinam com Chris Evert ou Jeniffer Capriati ou alguém menos polêmico’. Martina, é claro, deu este depoimento à Michele Kort, no livro ‘SportsDikes’, antes do caso Capriati e drogas.
O fato é que, depois de se aposentar do tênis profissional, Martina tornou-se ativista de carteirinha do movimento gay. Além de colaborar com a militância, ela já fez algumas campanhas publicitárias, abrindo os olhos de empresários e multinacionais para o crescente potencial do mercado gay e do tal do ‘pink money’. No passado, foi garota-propaganda do ‘Forester’, um carro da marca Subaru e, segundo declarou, na época, para a revista lésbica ‘Curve’: ‘durante os dois anos em que fiz a campanha, as vendas do Forester excederam as expectativas’. Bem, parece que atletas gays e lésbicas podem começar a sonhar com o dia em que os patrocinadores irão querer, quem sabe, um atleta homossexual para vender algum produto. O jogador Lilico**, do vôlei, foi o único atleta brasileiro assumido cujo patrocinador não retirou o apoio ao seu clube, mas ele nunca fez nenhuma campanha publicitária de porte, dirigida a gays, como a colega Martina.
O medo que acomete muitas figuras públicas quando o assunto é assumir a própria homossexualidade é o receio de tornar-se porta-voz da comunidade gay. Martina Navratilova, por exemplo, disse, em uma entrevista, que ser uma porta-voz do movimento gay ‘não foi uma coisa pela qual lutei, mas também não vou fugir disso. Se isso pode fazer alguma diferença, então eu aceito essa responsabilidade com muito orgulho. Eu simplesmente fico estupefata ao perceber que eu posso fazer uma certa diferença. Eu sempre tive vontade de corrigir o que me parecia errado, e se eu puder corrigir as coisas nesse sentido, é claro que isto é importante para mim’.
Martina talvez seja um dos melhores exemplos de como sair do armário pode fazer bem a uma pessoa, tornando-a mais feliz e até trazendo mais sucesso. Basta lembrarmos que a maior parte dos títulos e da grana que ganhou em sua carreira foi em sua fase pós-assumida. Sobre isso ela já declarou que ‘ao assumir publicamente nossa homossexualidade, nós nos tornamos mais palpáveis, mais verdadeiros, mais pessoais. Nós nos tornamos seres humanos’.
Mas Navratilova não versa somente sobre ativismo quando o assunto é lesbianismo: ela gosta também de amenidades. Perguntada, na entrevista, qual era seu programa de TV favorito, Martina disparou: ‘Xena, claro...A série é muito, muito divertida!’. Mas quando perguntam se ela está namorando, Martina diz que sim, namora uma garota e está muito feliz - só não revela o nome de sua Gabrielle. E não precisa, não é mesmo? Uma coisa é atuar politicamente, revelando a própria homossexualidade. Outra coisa é deixar que sua vida pessoal seja devassada. Saber traçar esse limite precioso é para poucos. Martina sabe. (por vange leonel)
martina navratilova
michelle dumaresq
renée richards
stanislav tanchev
greg louganis
emile griffith
atletas homossexuais nas olimpíadas
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quinta-feira, 26 de março de 2009
homenagem a um gay: walt whitman
Walt Whitman nasceu em West Hills, em 1819, e foi educado com a rigidez característica dos quakers, comunidade de que sua mãe, de origem holandesa, fazia parte. Acreditava na democracia, na iniciativa individual e na liberdade pessoal. Defendeu abertamente a homossexualidade. Também se preocupava em estimular o gosto pela vida ao ar livre e pelos valores da natureza. Também buscou a liberdade na forma que escrevia suas poesias que eram em verso livre, sem rimas. Sua obra influenciou muitos autores como Oscar Wilde, Fernando Pessoa e García Lorca. Walt Whitman publicou seus poemas nas sucessivas edições do livro ‘Leaves of Grass’, sempre com o acréscimo de novos poemas. A coleção de poemas foi descrita como obscena por sensualidade manifesta.
Em 1841 mudou-se para Manhattan. Na grande metrópole, trabalhou como jornalista no ‘Broadway Journal’, dirigido então por Edgar Allan Poe. Eclético, assinava crítica de ópera e teatro, relatos de jogos de baseball, crônicas do quotidiano, artigos sobre a questão escravagista, pequenos contos, ficção gótica, guias de viagem. Participou com ardor da vida da cidade, não deixava de frequentar night-clubs e bares de má fama, nem prescindia de conviver com operários e marinheiros. Tinha 29 anos quando lhe ofereceram um lugar na redação do jornal de Nova Orleans, então seguiu caminho na companhia do irmão Jeff e instalou-se num bairro boêmio. A miscigenação cultural da cidade fascina-o, mas a segregação social provocou nele uma rejeição natural. Ao fim de três meses, partiu. Indômito espírito de um viajante. Viajante de partidas e regressos, de amarras e liberdades.
Um dos acontecimentos que marcou a sua poesia foi a Guerra Civil. Ao visitar seu irmão, George, ferido durante a guerra, Whitman começou a ajudar os soldados como voluntario, dando início em Washington a uma penosa peregrinação de visitas a hospitais. Ele permaneceu na cidade após a guerra e teve então sua mais forte relação, com um condutor de veículos chamado Peter Doyle. Mais tarde, porém, após um derrame, ele foi forçado a viver com o seu irmão George. Depois de estar recuperado, partiu em viagem. Com o reconhecimento de seu trabalho, ele pode então comprar sua própria casa.
No mundo das artes, sempre nos deparamos com figuras notadamente gays. Alguns, diante de especulações, tratam logo de desmentir. Outros poucos vão logo assumindo, ou ainda deixando no ar, sem a mínima preocupação do que as pessoas possam pensar sobre sua orientação sexual. Um destes notáveis é Walt Whitman. Em muitas de suas obras é notável e marcante o teor homo-herótico, com fortes doses de sensualidade e sexualidade. Whitman, porém não se mostrava apenas um poeta do desejo carnal, ele foi também o escritor das minorias, atacando a repressão de homens e mulheres, das figuras excluídas e marginalizadas. A paixão de Whitman pelo concreto, pelo real e pelo incorporado, afastou-o da indesejável especulação: ‘Eu aceito a realidade e não ouso questioná-la’.
Neste momento terno e pensativo
Aqui sentado a sós
Sinto que existem noutras terras outros homens
Ternos e pensativos,
Sinto que posso dar uma espiada
Por cima e avistá-los
Na França, Espanha, Itália e Alemanha
Ou mais longe ainda
No Japão, China ou Rússia,
Falando outros dialetos,
E sinto que se me fosse possível
Conhecer esses homens
Eu poderia bem ligar-me a eles
Como acontece com homens de minha terra,
Ah e sei que poderíamos
Ser irmãos ou amantes
E que com eles eu estaria feliz.
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sábado, 14 de março de 2009
homenagem a uma lésbica: patricia highsmith
Patricia Highsmith transformou criminosos em heróis e crime em romances psicológicos, rompeu com os conceitos básicos do policial e inverteu o clássico final ‘castigo para o criminoso’. Com seus livros traduzidos em 20 línguas, os seus thillers criminais psicológicos, ainda hoje, encantam leitores no mundo inteiro e tem os melhores elogios da crítica. O seu primeiro livro, ‘Strangers on a Train’ (‘Pacto Sinistro’), teve várias adaptações para o cinema, sendo a mais famosa a de Alfred Hitchcock.
O filme ‘The Talented Mr. Ripley’ (‘O Talentoso Ripley’), com o insípido Matt Damon, foi a segunda adaptação do livro homônimo de Patricia Highsmith, a primeira foi ‘Plein Soleil’ ('O Sol por Testemunha’) com Alain Delon interpretando o papel principal. Patrícia torceu o nariz para as duas adaptações, na primeira, o diretor fez o amoral Tom Ripley sentir culpa de seus crimes, e culpa é algo que não existia para o personagem. Na versão francesa, que teve a melhor interpretação do anti-herói, mesmo assim irritou a autora, porque o final da historia foi alterado, Ripley acaba preso. Para Patrícia não interessava que a trama fosse um quebra-cabeça que culminasse com a descoberta do assassino, ela usava o crime como mote para mergulhar em aspectos perturbadores da psicologia humana. Interessavam-lhe, sobretudo, as condutas amorais.
Nascida no Texas, mas radicada na Europa onde viveu a maior parte da sua história, Patrícia Highsmith nunca escondeu que seus livros estão impregnados de fantasmas pessoais, atormentada por traumas de infância e que tinha uma relação problemática com sua sexualidade. Até o fim da vida ela guardou mágoa da mãe, que tentou abortar seu nascimento ingerindo terebentina e mais tarde reprimiu o quanto pôde a lesbiandade da filha. Patricia só conheceu seu pai biológico aos 12 anos e, na ocasião, ele tentou abusar dela sexualmente. Na adolescência, a escritora sofreu de anorexia, fato que mais tarde atribuiria ao desejo de fugir de sua própria personalidade.
Adulta, tornou-se um poço de melancolia e contradições. Embora tenha vivido uma infinidade de relações com mulheres, tinha dificuldade em estabelecer ligações duradouras. Em alguns momentos, chegou a freqüentar o psicanalista com o objetivo de se tornar heterossexual. Apesar de lésbica, Patricia declarava ter horror à convivência com a categoria: seu par romântico ideal, dizia, eram as mulheres casadas. Curiosamente, a escritora foi acusada de misoginia pelas feministas. Elas alegavam que Patricia tinha um prazer perverso em descrever assassinatos brutais de mulheres.
Patrícia Highsmith foi uma das grandes damas do suspense e seu legado é composto de livros ricamente elaborados a respeito da tênue linha que separa os bons e os maus. Crueldade com elegância era o principal ingrediente de suas tramas policiais.
blog a panela das 7 mulheres
com um tempero delicioso!
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
homenagem a uma lésbica: joe carstairs
Marion Carstairs Barbara nasceu em Londres em 1900. Seu avô, o americano Jabez Bostwick, fez fortuna com Rockefeller em petróleo e ferrovias. Conhecida mundialmente como 'Joe Carstairs' teve uma infância difícil. Seu pai deixou a família antes dela nascer e sua mãe era uma alcoólatra. Em 1916, ingressou na Cruz Vermelha para conduzir ambulâncias na França e na Irlanda durante a Grande Guerra. Posteriormente ingressou na ‘Women's Legion Mechanical Transport Section’ em Dublin. Durante seus anos na França e na Inglaterra desenvolveu o amor às máquinas e a velocidade. Em 1920 ela criou, com amigos e com sucesso, uma garagem de motoristas profissionais. obrigada queridas...
Joe se destacava na multidão por seu comportamento extravagante, geralmente vestida como homem e fumando charutos. 'Eu nunca fui uma menina', declarava, 'já saí do útero queer'. Em 1918 ela casou com um francês, mas apenas para obter dinheiro de sua mãe, uma tóxico-dependente cujo quarto marido era um famoso cirurgião. Logo que sua mãe morreu Carstairs anulou seu casamento com o argumento de que nunca foi consumado. Em 1925 ao receber as heranças da sua mãe e avó, a primeira coisa que fez foi comprar uma lancha.
Durante os cinco anos seguintes marcou o mundo masculino das lanchas de corrida. Ela venceu e conquistou o ‘Duke of York's Trophy’ em 1926, mas o seu objetivo era conquistar o ‘Harmsworth Trophy’, o mais prestigiado prêmio do mundo. Joe concorreu em 1928, 1929 e 1930, mas foi derrotada em cada ocasião. Porém ela se estabeleceu como a mulher mais rápida em corrida de lanchas. Trinta dos troféus que ela ganhou estão em exposição.
No início dos anos 30, Joe estava enfrentando problemas fiscais tanto em Inglaterra, como nos Estados Unidos. A imprensa, que havia sido favorável durante o seu primeiro êxito na corrida, tornou-se cada vez mais hostil devido a sua vida nada convencional. Então, em 1933 ela comprou a ilha de Whale Cay nas Bahamas por US $ 40000, uma ninharia em comparação com o que ela gastava em lanchas de corridas. Quando ela chegou à ilha encontrou uma jovem negra, que mantinha o farol em ruínas. Ela contratou sete homens de Nassau, a capital da colônia, para ajudá-la a construir uma estrada de uma ponta à outra.
Nos quarenta anos que Joe ali viveu, ela investiu grandes somas de dinheiro, na reconstrução do farol, na construção de uma usina, uma estação de rádio, uma escola, uma igreja, um armazém geral, e estradas, mas seu único meio de transporte sempre foram dois botes. Comprou mais ilhas. Sua casa era no estilo espanhol, branca, com azulejos vermelhos e parapeitos de ferro forjado, e nos jardins foram plantados palmas, tamarindos, amêndoas e uvas.
Durante estes anos ela acolheu inúmeros hóspedes, um fluxo constante de amigos da Inglaterra e da América visitou Whale Cay, como o Duque e Duquesa de Windsor e Marlene Dietrich que foi sua amante. Elas estavam fascinadas uma pela outra. Carstairs estava tão apaixonada que ofereceu Whale Cay a Dietrich, com a população incluída; Dietrich aceitou apenas uma praia.
Namorou Dolly Wilde, a sobrinha de Oscar Wilde, e a atriz Tallulah Bankhead. Mas, seu companheiro constante e tratado por ela como o seu melhor amigo foi Lord Tod Wadley, um boneco de couro dado a ela como presente por sua secretária e namorada Ruth Baldwin em 1925. Wadley foi tudo para Joe: companheiro, protetor, alter ego.
Em 1975, com 75 anos, ela foi obrigada a vender Whale Cay. Joe ficou devastada com a perda da sua ilha. Ela chorou apenas uma vez em sua vida, a morte da namorada que lhe deu Tod Wadley, e agora ela chorou novamente. Seu barco de corridas favorito foi jogado para o fundo de um rio em Whale Cay para ali ficar eternamente. Viveu o resto de sua vida dentro e ao redor da Flórida, nunca demasiado longe do mar, com Lord Tod Wadley, já com o rosto de couro rachado, descascado e remendado com pequenos band-aids, mas ainda com o doce sorriso e o olhar pueril.
Ela morreu em 1993, com 93 anos, convencida de que sem ela a ilha se converteria em deserto. No decurso da investigação de um jornalista sobre Joe Carstairs, foi constatado que a ilha estava praticamente deserta. Apenas um casal vivia lá. As estradas estavam desmoronando. Como previsto, a ilha foi devolvida à floresta. Em seu testamento, Joe deixou $ 33 milhões e uma infinidade de brinquedos e recordações, cada um dos quais foi atribuída a um amigo ou a um empregado. Mas não houve menção ao boneco Tod. Conforme desejo, ela e Wadley foram cremados juntos.
selo que ganhei da new
do blog estúrdio blog’s new.gif)
selo que ganhei da vivian
do blog dia-a-dia com a sua farmacêutica
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
tracy chapman
Tracy Chapman foi uma personalidade marcante na música pop norte-americana dos anos 80. Talentosa cantora e compositora começou a tocar guitarra ainda criança. Ingressando em um programa direcionado a identificar crianças negras talentosas para o desenvolvimento acadêmico, o que lhe permitiu mais tarde estudar antropologia e estudos africanos conquistando assim o título de doutora honoris causa em belas-artes, pela sua contribuição como artista e por todas as suas realizações artísticas. temas relacionados: ouça tracy
Enquanto freqüentava a universidade, tocava em bares as suas próprias composições. O primeiro LP, deslumbrante álbum de estréia tornou Tracy Chapman uma estrela da noite para o dia. Extremamente talentosa e carismática com voz grave e emocionante, acompanhada apenas de um violão acústico, brilha em canções inteligentes que tocam em temas desconfortáveis como violência contra a mulher em seu lar e também por sua integridade artística que, apesar da produção comercial imposta pela gravadora, consegue passar a mensagem à sua maneira. Após a sua aparição num programa de TV, em homenagem aos setenta anos de Nelson Mandela, alcançou o topo nos Estados Unidos. Depois disto, aliou-se à 'Anistia Internacional', participando do programa ‘Human Rights Now!’, tornando-se uma das mais influentes artistas no meio universitário norte-americano, nos anos 80.
Embora Chapman seja notoriamente considerada reclusa e nunca fale publicamente sobre a sua sexualidade, a escritora Alice Walker, ganhadora do prêmio ‘Pulitzer’ com o romance 'The Color Purple' e que deu origem a um dos mais belos filmes de Steven Spielberg, falou de sua relação amorosa com Tracy durante uma entrevista. Dizendo que foi delicioso e adorável, maravilhoso, e que gostou intensamente, e que estava completamente apaixonada por Tracy, mas que na época, isso não dizia respeito a mais ninguém além delas.
alice walker
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domingo, 25 de janeiro de 2009
homenagem a um gay: bobby griffith
Bobby Griffith cresceu feliz e inteligente, um menino obediente e gentil. Na adolescência, descobriu sua atração por outros adolescentes de sua idade ou mais velhos e não por meninas. Por ser um devoto cristão ele estava muito consciente dos ensinamentos da Igreja que freqüentava juntamente com seu irmão, duas irmãs e sua mãe que ensinava na escola dominical. Por ter aprendido que ser gay era um dos piores pecados, ele acreditava ser um doente de corpo e deficiente de alma, que queimaria no inferno por toda a eternidade e que não era digno do amor de Deus. Temas relacionados:
Incapaz de lidar, diariamente, com os conflitos e lutas tanto com a sua família quanto com a sua religião, Bobby pulou de uma ponte sobre uma movimentada estrada em Portland, Oregon, em 27 de agosto de 1983 e morreu instantaneamente devido às lesões internas. Seu diário pessoal foi preenchido com palavras de ódio contra si próprio, por acreditar, como homossexual, ser um instrumento do diabo. E ele acreditava porque a sua Igreja e família assim o ensinaram. Sem qualquer razão para viver, por ser amaldiçoado, não viu outra saída além de pular para a morte, mesmo o suicídio sendo também punido com o fogo eterno.
Mary Griffith, sua mãe, estava convencida de que ela era a culpada da morte incompreensível do seu filho aos 20 anos de idade, devido a sua constante, incessante e contínuas citações dos versículos da Bíblia, numa campanha cruel feita por ela para convencê-lo a deixar de ser gay o que tanto a envergonhava. Após a morte do seu querido filho, a sua amada Igreja virou-lhe as costas e aos familiares. Não foram capazes de ajudá-los a explicar o que correu ou oferecer conforto. Ela na sua ignorância acreditava ter ajudado a empurrar Bobby da ponte, que sacrificou o seu filho em nome da rígida tradição religiosa quando ela deveria ter feito, era dizer-lhe que estava perfeitamente bem, tal como ele era.
Mary Griffith reconsiderou a sua teologia e crenças sobre homossexualidade quando ela própria procurou saber a verdade do que significa ser gay ou lésbica. Desde então ela tem feito uma cruzada nacional alertando jovens gays e lésbicas para os terríveis males que a sociedade organizada e a igreja tem infligido sobre esta minoria estigmatizada e sofrida. Além de tornar-se uma das mais visíveis ativistas da 'Associação Nacional de Pais, Familiares e Amigos de Lésbicas e Gays' (PFLAG) para que os pais compreendeendam e aceitem os seus filhos homossexuais.
Em 1989 Leroy "Roy" F. Aarons, jornalista e fundador da ‘National Lesbian and Gay Journalists Association’, após ler um artigo de jornal sobre o suicídio de Bobby Griffith, e seus efeitos sobre a mãe Mary Griffith escreveu o livro ‘Prayers for Bobby: A Mother’s Coming to Terms with the Suicide of Her Gay Son’ que foi publicado em 1995. Baseado no livro a atriz americana Sigourney Weaver interpretará Mary Griffith, no filme ‘Prayers for Bobby’, previsto para estrear nos EUA agora em janeiro. O filme ajudará os jovens de hoje a lidar melhor com a sua sexualidade e pode orientar famílias para que tragédias como a de Bobby Griffith não se repitam.
Por outro lado, o canal por assinatura americano "Showtime" está desenvolvendo o reality show ‘Way Out’. A emissora que é responsável por séries de sucesso como ‘The L Word’ e ‘Queer as Folk’, mostrará a reação dos familiares, amigos e dos próprios homossexuais diante da revelação de sua orientação sexual. O objetivo do programa é relatar as dificuldades dos jovens em ter uma vida dupla e entender as razões para alguns não se assumirem.
as dores provocadas pelo armário

ganhei este mix de selos da requeri
do blog re ... bloggando
Obrigada amiga...
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
homenagem a um gay: rosa von praunheim
Muito teve de ser feito para que pessoas, públicas ou não, não temessem assumir abertamente sua homossexualidade. Na Alemanha, o cineasta Rosa von Praunheim, principal ativista do movimento de libertação homossexual alemão é um dos principais responsáveis pela atual liberdade. Rosa von Praunheim, cujo verdadeiro nome é Holger Bernhard Bruno Mischwitzky, nasceu em 25 de novembro de 1942, em Riga, Letônia, durante a ocupação alemã. Seu nome artístico advém do ‘triângulo rosa’ dos homossexuais nos campos de concentração nazistas, e de Praunheim, bairro de Frankfurt onde cresceu. Após abandonar o curso de pintura da Escola Superior das Artes, em Berlim, Von Praunheim iniciou sua carreira de cineasta, no final dos anos de 1960. Em ‘Schwein gehabt – Joe Luga’ (Joe Luga teve sorte), Von Praunheim conta a história do cantor Joe Luga, que fazia shows travestido de mulher para os soldados alemães da frente russa. Somente após a guerra, nos anos de 1950 e 1960, sua homossexualidade o levou às prisões da antiga Alemanha Ocidental. Mas é no longo documentário ‘Männer, Helden, Schwule Nazis’ (Homens, heróis, gays nazistas), disponível desde o ano passado em DVD, que o diretor aborda a paradoxal relação entre a homossexualidade e as idéias do radicalismo de direita, cuja estética está cada vez mais presente na cena gay atual.
Em 40 anos de atividades, Von Praunheim dirigiu, entre documentários e filmes de ficção, cerca de 70 produções. Ele mesmo se considera ‘um dos cineastas gays mais produtivos do planeta’. Como ativista, o diretor provocou escândalo ao lançar seu semi-documentário ‘Nicht der Homosexuelle ist pervers, sondern die Situation in der er lebt’ (Não é o homossexual que é perverso, mas a situação em que ele vive).
Rosa von Praunheim sempre foi um provocador. ‘Saiam dos banheiros, vão para as ruas’ era a mensagem do filme que acusava os gays de passividade política numa sociedade homofóbica, de se contentar com a triste vida de bares proibidos e sexo às escondidas em banheiros públicos. O filme foi lançado no Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 1971. Durante sua transmissão pela TV pública ARD, em 1973, a televisão da Baviera saiu do ar. Von Praunheim não atacava apenas a sociedade alemã, que no ano anterior anulara o parágrafo do Código Civil de 1872 que proibia relações sexuais entre o mesmo sexo. O principal alvo do diretor eram os próprios homossexuais.
Depois do filme de Von Praunheim que afirmava que ‘gays não querem ser gays, mas querem ter uma vida pequeno-burguesa e viver como cidadãos medianos, e que sua passividade política é agradecimento ao fato de não serem mortos’, cerca de 50 grupos ativistas gays foram criados no país.
Durante os anos de 1980 e 1990, Von Praunheim dedicou-se ao combate à discriminação dos portadores de aids. Em 1991, no auge da crise da doença, o cineasta provocou o furor de vários homossexuais por ter declarado, em programa da rede privada de televisão RTL, que dois dos principais apresentadores da televisão alemã, Alfred Biolek e Hape Kerkeling, eram gays e tinham a obrigação de se engajar na conscientização sobre a doença. O argumento de Von Praunheim para o outing de personalidades gays foi: ‘Ser gay e lésbica não será uma questão de cunho privado enquanto formos expulsos, devido à nossa homossexualidade, de nossos empregos e moradias’.
Von Praunheim se dedicou desde cedo à difusão do sexo seguro, chamando até mesmo seus opositores de ‘assassinos’ e angariando vários inimigos na cena homossexual, cujo estilo de vida combatia – um paradoxo, já que o próprio Von Praunheim se considera ‘promíscuo’, apesar de viver com seu companheiro Mike Shepard já há 30 anos.
Oscilando entre o kitsch e o político, o trabalho cinematográfico de Von Praunheim trata de gays, divas, mulheres fortes, homossexuais corajosos, transexuais, estrelas pornôs e temas como radicalismo de direita e luta contra a aids. Seus documentários são seus pontos fortes. Seus filmes de baixo orçamento convencem e suas provocações recebem os mais diversos elogios. ‘Certo, útil e necessário’, afirma, por exemplo, o diário ‘Frankfurter Allgemeine Zeitung’.
O provocador Von Praunheim não lutou somente pela liberdade sexual entre gays e lésbicas, mas por seu engajamento político e por sua solidariedade como cidadãos. ‘Lutamos por algo mais que 700 bares de sexo’, afirma um americano no filme ‘Armee der Liebenden oder Aufstand der Perversen’ (Exército dos Amantes ou a Revolta dos Perversos) (1979), sobre os movimentos de libertação nos EUA. O amor livre se impôs, a solidariedade não, reclama o diretor. ‘Ich bin meine eigene Frau’ (Eu sou minha própria mulher) (1992), é sobre a vida do travesti da antiga Alemanha Oriental Charlotte von Mahlsdorf. (sobre ela postei aqui)
Somente em 2000 sua mãe confessou, aos 94 anos, que o diretor era adotado. Ela viveu, com o filho, os seus dez últimos anos de vida, até morrer em 2003. Após longas pesquisas, Von Praunheim descobriu que nasceu na Prisão Central de Riga e que sua mãe biológica faleceu num hospital psiquiátrico em 1946. (por: carlos albuquerque)
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
homenagem a uma lésbica: alice walker
Alice Malsenior Walker, escritora e feminista sempre foi uma ativista pelos direitos dos negros e das mulheres, destacando-se na luta contra o ‘apartheid’ e contra a mutilação genital feminina em países africanos. De origem africana, filha de agricultores nasceu na Geórgia em 1944, iniciou sua carreira de escritora com ‘Once’, um volume de poesias. Escreveu também o livro ‘De amor de desespero’, uma coletânea de vários contos, uma obra composta pelas vozes de várias mulheres negras do sul dos EUA, mulheres diferentes com seus temores, desafios e sonhos. Mas Alice Walker alcançou fama mundial com ‘The Color Purple’, premiado com o ‘Pulitzer’, e dando origem a um dos mais belos filmes de Steven Spielberg, com a atriz Whoopi Goldberg no papel principal e traduzido no Brasil como ‘A Cor Púrpura’. Em 2006, Alice falou de sua relação amorosa com a cantora Tracy Chapman durante uma entrevista para o ‘The Guardian’. (fonte: 'Celie e Shug, duas mulheres além de seu tempo'
Um dos assuntos recorrentes nos trabalhos de Alice Walker é a insistência em buscar a verdade nas relações entre luta e mudança na dolorosa vida das pessoas negras, motivo de protesto da escritora, principalmente das negras. A forma da narrativa de ‘The Color Purple’, é epistolar, técnica literária que consiste em desenvolver a história principalmente através de cartas, que era o modo de expressão mais utilizado no Oeste. As feministas históricas acreditavam que elas eram as principais fontes de informações objetivas e subjetivas dos fatos da vida diária das mulheres e enfatizavam a opressão das mulheres negras vividas nas suas relações com os homens negros (pais, irmãos, maridos, amantes) e a solidariedade mútua que precisavam ter para se auto-libertarem. Alice aborda o proibido na narrativa em tela, focalizando o incesto e retrata a relação lésbica como natural e livre.
O período histórico retratado é um ano antes de 1920 e depois do final da escravidão nos Estados Unidos, que ocorreu oficialmente em 1865. Na obra, Alice Walker constrói com sensibilidade e talento, sua maior personagem: Celie, uma mulher negra sulista, com apenas 14 anos, quase analfabeta, que vive em uma realidade dura de pobreza, opressão e desamor e que escreve cartas para Deus, única forma de manter a sanidade e de expressar seus sentimentos e observações sobre a vida. Celie não era considerada como pessoa, mas sim tratada como objeto. O padrasto, que a violentou, e o marido acabaram com sua auto-estima, relembrando-a sempre que era apenas uma pobre e feia mulher negra, nada mais que isso. Cellie representa todas as mulheres que vivem na sombra de maridos dominadores. É uma alma cheia de anseios e sentimentos que luta com suas armas sutis para manter a sua dignidade.
Os homens são opressores brutais, inimigos. Shug Avery, uma sensual cantora de blues e Celie se apaixonam. Desde que aprende a amar a si mesma, ama os outros e Celie descobre a sexualidade através da relação lésbica com Shug Avery e parte com ela para Memphis, libertando-se da escravidão e abusos que o marido lhe infligia. Para Celie, essa relação é a única escolha e inicia uma vida nova e constrói sua identidade como ser humano, como mulher. O amor por outra mulher abre um espaço para a realização pessoal e sexual da mulher no qual a identificação com outro ser igual possibilita a auto-integração do sujeito feminino.
por Sônia Maria Zanetti Thomaz)
A canção ‘Miss Celie's Blues’ é o grande e enternecedor tema, na voz poderosa de Tata Vega, excelente cantora de blues. ‘Miss Celie's Blues’ é a confissão do amor de uma mulher por outra.
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domingo, 30 de novembro de 2008
homenagem a uma transexual: jan morris
Jan Morris é uma historiadora e escritora britânica. Conhecida especialmente pela trilogia ‘Pax Britannica’, uma história do Império Britânico, é também conhecida por seus livros de viagem. Ela escreveu sobre cidades como Hong Kong, Veneza, Oxford, Trieste, Nova York, País de Gales e sobre a cultura espanhola. ‘Venice’, escrito por ela na década de 60 é considerado o melhor já escrito sobre a cidade. alguns livros de jan morris
Jan Morris nasceu como James Humphrey Morris (foto a direita), e além de servir no exército britânico na II Guerra Mundial, foi correspondente para o ‘The Times’ quando acompanhou os britânicos em uma expedição que foi a primeira escalada do Monte Everest.
Em 1949, casou-se com Elizabeth Tuckniss, filha de um plantador de chá. Morris e Tuckniss tiveram cinco filhos, incluindo o poeta e músico Twm Morys. A transição para a mudança de sexo, como documentado em um de seus livros, começou nos anos 60, com o início do tratamento hormonal. Em 1972 foi feita a cirurgia em Marrocos, uma vez que os médicos na Grã-Bretanha se recusaram a autorizar o procedimento a menos que Morris e Tuckniss se divorciassem. James Humphrey Morris divorciou-se de Elizabeth em 1972 depois de ter mudado de sexo, mas as duas continuaram a viver juntas em Llanystumdwy, no País de Gales.
Trinta e seis anos depois, com 81 anos, Jan Morris considerada em 2008, pelo jornal ‘The Times’, como a 15ª mais importante escritora britânica do pós-guerra, quando falava no programa 'Bookclub' da Rádio da BBC sobre o seu mais recente livro, anunciou o seu novo casamento, com a mesma Elizabeth, companheira de mais de 60 anos. O casamento das duas aconteceu em maio deste ano.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
memórias de um imperador
Herdeiro do Império Romano, Públio Élio Trajano Adriano mais conhecido apenas como Adriano, era um militar homossexual fascinado pela cultura dos povos dominados. Conhecido por seu interesse pela cultura grega e pela arquitetura, sua homossexualidade se revelou na relação aberta com a sua grande paixão, o jovem grego Antínoo. Para ele, Adriano construiu templos e uma cidade inteira. Homem de grandes contradições combinava opressão com tolerância cultural, construiu a muralha de 117 quilômetros entre a Inglaterra e a Escócia para se proteger dos exércitos inimigos do norte, na época, a região fazia parte do Império Romano. Seu encantamento pela arquitetura também transbordou bem longe do plano da guerra. Foi ele quem construiu o Panteão em Roma e uma extraordinária residência em Tivoli, a Villa Adriana, que fica perto de Roma. Era um sensível, do ponto de vista artístico e um apaixonado no amor homossexual. Quando da morte do jovem Antínoo, seu amante, decretou luto em todo o Império. 
Adriano renasceu numa exposição do British Museum, em Londres, num documentário da rede BBC e Hollywood visitará a Roma Antiga e também trará de volta o imperador, talvez o maior de todos os imperadores romanos. Um homem notável, uma das mais cultas e sábias figuras do seu tempo, que tornou a sociedade romana um pouco mais justa para as mulheres dando-lhes direitos e amenizando o tratamento dado aos escravos, será trazido de volta em um drama adaptado do romance de Marguerite Yourcenar no seu célebre ‘Memoirs of Hadrian’ (Memórias de Adriano). A genialidade desta obra nos remete a própria vida da autora, apaixonada por um homem que gostava de outro homem e que encontrou e amou a americana Grace Frick (1937). Para proteger a relação do preconceito, instalou-se em companhia da sua amada na solidão da ilha de Montes-Desertos (Maine-EUA), e torna-se cidadã americana em 1947.
‘Memórias de Adriano’ tem a forma de uma longa carta dirigida pelo velho imperador, já minado pela doença, ao jovem Marco Aurélio, que deve suceder-lhe no trono de Roma. Uma carta em que, numa serena confissão causada pela aproximação da morte, conta todos os episódios decisivos de sua vida. Marguerite Yourcenar era poliglota e apaixonada pela antiguidade clássica, publicou a obra em 1951, iniciada em 1924, e nela relata a figura humana do imperador romano, preocupado em passar ao sucessor, reflexões sobre suas misérias, glórias e o desesperado amor pelo belo e enigmático Antínoo, que ante o seu suicídio, num acesso de melancolia, o imperador quase enlouquece. Sua história foi inspirada em profundas pesquisas, visitas a museus, consultas a bibliotecas até absorver completamente a essência da personalidade do Imperador Adriano. Toda a sua sensibilidade na evolução de um império foi como uma reverência ao seu amor por Antinoo, que vivenciou a cada momento da história sem se importar com as intrigas.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008
sappho, verdades e mentiras
Sappho foi uma das maiores poetisas da antiguidade, o que lhe valeu o título de décima musa, mas seus poemas estão quase todos perdidos ou destruídos. Apesar das pouquíssimas informações objetivas que existem a seu respeito, pode-se dizer com certeza que ela vivia em Lesbos, era de família aristocrata, foi exilada da ilha durante um período por desavenças políticas, cantava poemas que ficaram famosíssimos, amava mulheres e que existe muito mito em torno de sua vida. Mentiras sobre Sappho: Papiro traduzido por Ambrose Phillips, em 1711:
- Sappho não escrevia poemas
Seus poemas eram cantados e ao lado de Alceus, é considerada a maior poetisa lírica da antiguidade. Lírica, porque seus poemas eram acompanhados pela lira. Mesmo assim suas canções, por serem populares, sobreviveram via transmissão oral até que pudessem ser vertidas para o papiro e só foram compilados em versões escritas quase um século após sua morte.
- Sappho não amou Phaon e depois se atirou de um penhasco
A sua fama era tão grande e sua personalidade tão marcante que ela tornou-se tema e personagem de muitas peças encenadas em Atenas. Muitas dessas peças eram comédias, pois a figura de amante de mulheres e mulher máscula serviam apenas para propósitos cômicos. Em uma dessas peças, escrita quase oito séculos após a sua morte, uma Sappho fictícia se apaixonava por Phaon, um rapaz lindo, era rejeitada e se suicidava, atirando-se de um penhasco.
- Não havia uma outra Sappho, a cortesã
Depois que foram dominados pelos romanos, a cultura grega foi assimilada, transformada e até desmoralizada. Os poemas de Sappho eram vistos como abjetos e decadentes e num empenho para livrar sua poetiza da má fama, alguns estudiosos gregos ‘inventaram’ a existência de uma outra Sappho, a cortesã. Desta maneira, todas as acusações sofridas pela verdadeira Sappho foram atribuídas à sua homônima.
- Sappho não foi a única poetisa da antiguidade
Assim como ela, várias mulheres cantaram e escreveram poesia e foram contemporâneas da poetisa de Lesbos, como Moero, Anyte, Erinna e Nossis. Mas nenhuma teve a projeção de Sappho em sua época e todas sofreram o destino do esquecimento que sua contemporânea mais famosa sofreu.
Verdades sobre Sappho
- Sappho inventou a palheta
Embora ninguém saiba, foi ela quem inventou um pequeno artefato para tocar sua lira, poupando os dedos e extraindo um som mais puro de suas cordas.
- Sappho amou garotas
Os únicos poemas que restaram são explícitos no tocante ao seu amor, espiritual e físico, pelas mulheres. Não é difícil imaginar o amor entre mulheres na Grécia se o amor entre homens era tão comum. O forte ambiente homo-social na Grécia arcaica favorecia as relações amorosas entre pessoas do mesmo sexo e, assim como os homens, as mulheres se reuniam entre si para a celebração de várias festas ou reuniões culturais, chamadas simpósios. A exemplo do que acontecia entre os homens, o amor entre mulheres parecia sempre obedecer certas regras hierárquicas. Sappho, a mais velha e mais instruída, parecia sempre exercer um papel ativo, de posse de seus desejos e as garotas mais novas a quem ela dedicava seu amor ficavam numa posição mais passiva, sendo apenas receptoras do desejo da poeta. Vale lembrar que naquele período a homossexualidade não era vista como algo reprovável. O ‘pecado’ maior era desobedecer estas ordens hierárquicas.
- Seus poemas foram queimados
A biblioteca de Alexandria registrava a existência de nove volumes de sua poesia completa e sua obra era conhecida em todo o Mediterrâneo. Toda biblioteca e toda escola tinha à disposição uma compilação dos poemas de Sappho. Com a ascensão do cristianismo, as transcrições dos poemas de Sappho não eram mais estimuladas e alguns volumes existentes foram jogados à fogueira em campanhas da Igreja, juntamente com outros livros. Desta maneira, versões escritas de seus poemas desapareceram. Um só poema restou em sua forma completa, transcrito em um tratado sobre composição literária de 1508. Todos os outros fragmentos conhecidos foram encontrados em papiros numa escavação no Egito na metade do século XIX. (informações retiradas do artigo: 'Sappho, a primeira pop star da história' de Cilmara Bedaque e Vange Leonel)
"Oh Venus, beauty of the skies,
To whom a thousand temples rise,
Gaily false in gentle smiles,
Full of love perplexing wiles,
Oh goddess from my heart remove
The wasting cares and pains of love."
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Mara*
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