frase do dia: ‘a homofobia é mais uma constatação da perda da ternura no mundo, ser
preconceituoso com os LGBTs é retroceder; além de prejudicar o crescimento humano.’

(letícia spiller - atriz brasileira)

última atualização: 19/08/2009 20:36:42

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

insultos verbais

'homem com homem dá lobisomem, mulher com mulher dá jacaré...'
(ditado popular)

Apesar do termo homofobia ser ainda pouquíssimo conhecido pelos brasileiros, diferentemente do que ocorre há décadas nos Estados Unidos, onde é utilizado coloquialmente até em filmes de televisão, a prática da homofobia perpassa todos os níveis de nossa cultura, da lingüística popular aos meios de comunicação e instituições sociais. No Brasil a forma mais comum de ofender um homem é chamá-lo de homossexual - popularmente rotulado de veado.

Nas ruas, escolas e locais de trabalho, quando se quer agredir verbalmente um jovem ou adulto, o primeiro insulto que ocorre à lembrança dos brasileiros é veado. Apesar de serem empregados na língua portuguesa mais de sessenta sinônimos populares para designar pejorativamente o homossexual masculino, e uma vintena de étimos para a homossexual feminina, o termo veado tornou-se tão corrente e estigmatizante que o animal veado passou a sofrer a mesma maldição que pesa contra os homossexuais.

Anos atrás a imprensa noticiou que nos zoológicos de Salvador (Bahia) e Cascavel (Paraná), alguns veados ("cervos do pantanal") foram mortos a pedradas e pauladas por visitantes desconhecidos, que transferiram para os indefesos animais o mesmo ódio mortal da população contra os gays.

O número '24', tradicionalmente identificado no popular "jogo do bicho" ao animal veado, tornou-se tão maldito e indesejado no Brasil que em muitas escolas e agremiações diversas omite-se o '24' nas listas de identificação dos presentes a fim de poupar o "infeliz azarado" de ser vítima de toda sorte de constrangimentos físicos e morais geralmente reservados aos veados. Reflexo dessa mesma intolerância foi a decisão do Diretor do Departamento de Trânsito de São Paulo, ao proibir a impressão de chapas de veículos com três letras que viessem a formar a palavra 'GAY', sob alegação de 'evitar constrangimentos aos motoristas'.

Diversos são os ditados populares, sobretudo no Nordeste - a região brasileira mais subdesenvolvida e tradicionalmente hiper-machista - que tipificam esta intolerância anti-homossexual. É comum ouvir pais e mães proclamarem sem pejo: 'Prefiro ter um filho ladrão, ou morto, do que veado!', ou então: 'Prefiro uma filha puta do que sapatão!'.

Há um caso documentado e ocorrido na Bahia em 1987, de um pai que matou seu filho gay: o Coronel do Exército Antônio Pomponet Macedo ao indagar ao seu filho Augusto César Macedo, 29 anos, se era mesmo homossexual, ao receber resposta afirmativa, perante a família reunida, descarregou o revolver no peito de seu próprio filho.

Uma demonstração do recrudescimento da homofobia em nossa cultura popular contemporânea ocorreu em Salvador nos anos noventa, quando o mais famoso artesão de bonecos destinados a malhação do Judas na Semana Santa, resolveu inovar, confeccionando grande número de bonecos identificados como 'Gays do Tororó' e 'Sapatonas da Liberdade' - figuras que foram espancadas pela multidão e queimadas em fogueiras públicas exatamente como ocorria nos Autos de Fé da Inquisição. Neste deplorável episódio, o jornal 'A Tarde' aplaudiu a malhação dos homossexuais. Principal jornal do Norte e Nordeste do Brasil, 'A Tarde', é campeão da homofobia em língua portuguesa.

2 comentários:

looking4good disse...

Oh... se este é um blog de mulheres que amam mulheres com leveza e beleza, o que faço aqui -um homem (que ama mulheres ... belas.. é claro) e que não é especialmente belo nem leve?
Isto está bonito está...
De qualquer modo deixo sorrisos, flores e ... poesia... desde Portugal

Mara* disse...

Navegante de além-mar, conhecedor dos segredos de belas sereias, leve como o sorriso, belo como as flores - o que fazes aqui? - poeta! tens alma feminina.

beijos,
Mara*