frase do dia: ‘a homofobia é mais uma constatação da perda da ternura no mundo, ser
preconceituoso com os LGBTs é retroceder; além de prejudicar o crescimento humano.’

(letícia spiller - atriz brasileira)

última atualização: 19/08/2009 20:36:42

sábado, 28 de junho de 2008

seriado: last friends

O que um jovem gay está comentando hoje no Japão? Com certeza, o final de 'Last Friends' na semana passada, na Fuji TV, a nossa TV 'Globo' de lá. No Japão, a denominação de novela é drama, 'dorama', como eles pronunciam. É semanal, dura três meses, onze capítulos, no máximo. A cada estação, estréia um novo drama.

'Last Friends' ou 'Rasuto Furenzu', como os japoneses falam, começou em abril, início da primavera por lá, e virou um assunto obrigatório na comunidade gay. Logo no começo, mostrou um beijo entre duas meninas, provocando muita polêmica, já que no Japão ainda é tabu beijar ou mostrar emoções em público. Imagina com pessoas do mesmo sexo. As novelas japonesas, por exemplo, costumam mostrar beijos héteros bem discretos, selinhos, e só no último capítulo. Mas, acertou em cheio o coração dos admiradores do gênero. Logo na abertura, 'Last Friends' faz uma referência ao cultuado 'Dolls' (2002), filme-chave do cineasta Takeshi Kitano: um fio vermelho que une os personagens, representando a união de uma pessoa com sua alma-gêmea, independentemente de sua orientação sexual.

A música de abertura ('Prisoner of Love') é interpretada por Utada Hikaru, uma das cantoras jovens mais populares do Japão, e embala o drama de Michiru, garota que sai da casa da mãe e vai morar com o namorado ciumento e controlador. Ela começa a sofrer violência doméstica, enquanto se envolve com Ruka, uma amiga de infância, de visual masculinizado, corredora de motocross, com trauma que a impede de se envolver com homens.

Durante as 11 semanas de exibição, criou-se no país uma divisão de torcidas. Os conservadores não queriam que Ruka se assumisse e ficasse com Takeru, enquanto a comunidade gay torcia pelo final feliz. A atriz Juri Ueno, que interpretou Ruka, arrasou no papel, que lhe exigiu cabelos curtos, e inspirou meninas, lésbicas ou não, a entender melhor os diversos caminhos de sua sexualidade. É realmente invejável ver a TV japonesa superando preconceitos seculares abordando temas que, em países como o Brasil, ainda esbarram na caretice e no medo da rejeição de telespectadores e anunciantes.

(por Sérgio Ripardo)
Editor de Ilustrada da Folha Online


'Last Friends'



o beijo

Um comentário:

Analuka disse...

Tomarei a liberdade de linkar este blog lá no meu, ok? Abraços alados.