frase do dia: ‘a homofobia é mais uma constatação da perda da ternura no mundo, ser
preconceituoso com os LGBTs é retroceder; além de prejudicar o crescimento humano.’

(letícia spiller - atriz brasileira)

última atualização: 19/08/2009 20:36:42

sábado, 3 de janeiro de 2009

livro: nine...ten...and out!

sub-titulo: the two worlds of emile griffith
autora: ron ross

nine ten and out!

'Nine...ten...and out!' é uma importante obra que tira do armário Emile Griffith, um hexacampeão mundial e ícone de um dos esportes mais viris, o boxe. Hoje as coisas não estão tão ruins como em 1962, mas ainda não estão boas. É aplaudida a tolerância em relação aos gays que supostamente se desenvolveu nos últimos anos, mas é uma tolerância fina como um biscoito. Muitos esportistas gays ou bissexuais ainda vivem presos dentro da capa protetora da falsidade, com medo, por boas razões, de se revelarem. A fúria irracional sobre a questão do casamento gay, e a idiota política ‘não pergunte, não fale’ nas forças-armadas americanas, ainda continuam sendo reservatórios de ódio prontos para serem descarregados em homens e mulheres gays que somente gostariam de viver suas vidas livre, aberta e honestamente.

benny 'kid' paretUm episódio polêmico marcou o boxe em 24 de março de 1962. Quando Emile Griffith em uma luta televisionada na noite de sábado, disputava pela terceira vez o título mundial dos meio-médios, sua orientação sexual virou problema no ringue. O adversário, o campeão de peso-médio, um lutador cubano chamado Benny 'Kid' Paret o chamou de ‘maricón’ (gay) e apalpou o seu bumbum diante da multidão. Griffith derrubou o adversário que estava indefeso, preso nas cordas no canto do ringue, por nocaute no 12º round. Griffith socou e socou com força a cabeça desprotegida de Paret. Quando o árbitro finalmente afastou Griffith, Paret escorregou lentamente para a lona e o levaram em uma maca, ficou em coma por dez dias antes de morrer. Griffth entrou em depressão e pensou em abandonar o boxe.

emile griffithUma luta que nunca deixou de assombrar Emile Griffith. Uma luta trágica e suas conseqüências envolvendo os seus sentimentos sobre sua própria sexualidade, que foi outro tormento que teve que carregar por anos. A luta era a terceira entre os dois, cada um ganhou uma. Durante esse período Paret repetidamente provocava Griffith, que havia sido um designer de chapéu no distrito de roupas de Manhattan e era conhecido por freqüentar clubes gays. Durante as pesagens Paret caçoava de Griffith, e o chamava de ‘maricon', e isso o irritava, cansado das pessoas que o chamavam de ‘veado’. Nascido em 1938 nas Ilhas Virgens Americanas, Griffth foi um dos mais violentos pugilistas de sua época. Foi seis vezes campeão mundial.

Emile Griffith, alguns anos atrás, em uma entrevista a um jornalista do ‘The New York Times’, disse que brigou por toda a vida com sua sexualidade e que sabia ser impossível no começo dos anos 1960 para um atleta em um esporte de ‘macho’ como o boxe dizer: ‘Ah sim, eu sou gay’. 'Eu matei um homem e a maioria das pessoas entendeu e me perdoou. Agora, se dissesse que amava um homem, sei que isso seria imperdoável para muitas pessoas'. Foi assim que Emile, aos 67 anos, com todo o seu cabelo e parte de sua memória perdidos assumiu sua homossexualidade. Ele não queria mais se esconder e confessou que esperava participar da Parada Gay de Nova York daquele ano.

Em 2006, o boxeador foi eleito para a vice-presidência da 'Stonewall Veterans Association', importante associação de defesa dos direitos homossexuais de Nova York. Atualmente, ele sofre de problemas neurológicos decorrentes das seguidas pancadas de sua carreira e tem problemas para se comunicar.

Um comentário:

Fabíola disse...

Nossa,fiquei impressionada,muito bonita a história e tb muito triste.
E a gente ainda reclama da falta de tolerância de hoje,imagina se tivéssemos vivido naquela época.
O livro deve ser muito interessante.
Abraços.