frase do dia: ‘a homofobia é mais uma constatação da perda da ternura no mundo, ser
preconceituoso com os LGBTs é retroceder; além de prejudicar o crescimento humano.’

(letícia spiller - atriz brasileira)

última atualização: 19/08/2009 20:36:42

sexta-feira, 10 de abril de 2009

o esporte no armário

martina navratilova: a prova de que é possível ser gay assumido no esporte, em sociedades desenvolvidas, bem entendido. por aqui, é difícil encararmos a pequenez da nossa sociedade.

Martina Navratilova

Ela foi a primeira atleta famosa a declarar-se lésbica para o público, no começo da década de 1980. Nascida na antiga Tchecoslováquia em 18 de outubro de 1956, a já cinquentona Martina Navratilova é a maior ganhadora de prêmios do tênis profissional, entre homens e mulheres. Sua coleção de troféus e títulos é impressionante: um total de 167 títulos no circuito profissional e mais de 20 milhões de dólares ganhos em 21 anos de tênis. No ano 2000, foi colocada na Galeria da Fama do Tênis - é desde então uma imortal!

Martina sempre surpreendeu por sua coragem de falar sobre a própria homossexualidade em um meio reconhecidamente apavorado com o assunto. Muitos atletas gays não têm o menor problema com sua própria homossexualidade - o problema, eles dizem, é com os patrocinadores. A própria Martina temia perder seus patrocinadores quando teve sua homossexualidade, que todos tomavam como certa, revelada: ‘sempre me disseram para pegar leve para não perder possíveis patrocinadores. Não que eu precisasse fingir ser outra pessoa, mas diziam para eu ficar quieta. Até que, finalmente, eu saquei que não estava conseguindo patrocinadores de jeito nenhum, e eu já estava mesmo cansada de pegar leve... De qualquer maneira, na hora em que se bate o martelo, eles sempre assinam com Chris Evert ou Jeniffer Capriati ou alguém menos polêmico’. Martina, é claro, deu este depoimento à Michele Kort, no livro ‘SportsDikes’, antes do caso Capriati e drogas.

O fato é que, depois de se aposentar do tênis profissional, Martina tornou-se ativista de carteirinha do movimento gay. Além de colaborar com a militância, ela já fez algumas campanhas publicitárias, abrindo os olhos de empresários e multinacionais para o crescente potencial do mercado gay e do tal do ‘pink money’. No passado, foi garota-propaganda do ‘Forester’, um carro da marca Subaru e, segundo declarou, na época, para a revista lésbica ‘Curve’: ‘durante os dois anos em que fiz a campanha, as vendas do Forester excederam as expectativas’. Bem, parece que atletas gays e lésbicas podem começar a sonhar com o dia em que os patrocinadores irão querer, quem sabe, um atleta homossexual para vender algum produto. O jogador Lilico**, do vôlei, foi o único atleta brasileiro assumido cujo patrocinador não retirou o apoio ao seu clube, mas ele nunca fez nenhuma campanha publicitária de porte, dirigida a gays, como a colega Martina.

O medo que acomete muitas figuras públicas quando o assunto é assumir a própria homossexualidade é o receio de tornar-se porta-voz da comunidade gay. Martina Navratilova, por exemplo, disse, em uma entrevista, que ser uma porta-voz do movimento gay ‘não foi uma coisa pela qual lutei, mas também não vou fugir disso. Se isso pode fazer alguma diferença, então eu aceito essa responsabilidade com muito orgulho. Eu simplesmente fico estupefata ao perceber que eu posso fazer uma certa diferença. Eu sempre tive vontade de corrigir o que me parecia errado, e se eu puder corrigir as coisas nesse sentido, é claro que isto é importante para mim’.

Martina talvez seja um dos melhores exemplos de como sair do armário pode fazer bem a uma pessoa, tornando-a mais feliz e até trazendo mais sucesso. Basta lembrarmos que a maior parte dos títulos e da grana que ganhou em sua carreira foi em sua fase pós-assumida. Sobre isso ela já declarou que ‘ao assumir publicamente nossa homossexualidade, nós nos tornamos mais palpáveis, mais verdadeiros, mais pessoais. Nós nos tornamos seres humanos’.

Mas Navratilova não versa somente sobre ativismo quando o assunto é lesbianismo: ela gosta também de amenidades. Perguntada, na entrevista, qual era seu programa de TV favorito, Martina disparou: ‘Xena, claro...A série é muito, muito divertida!’. Mas quando perguntam se ela está namorando, Martina diz que sim, namora uma garota e está muito feliz - só não revela o nome de sua Gabrielle. E não precisa, não é mesmo? Uma coisa é atuar politicamente, revelando a própria homossexualidade. Outra coisa é deixar que sua vida pessoal seja devassada. Saber traçar esse limite precioso é para poucos. Martina sabe. (por vange leonel)

lilico

**Lilico, Luiz Cláudio Alves da Silva, morreu em dezembro de 2007, aos 30 anos, em decorrência de um acidente vascular cerebral. Lilico causou polêmica ao ser o primeiro atleta brasileiro de alto rendimento a declarar publicamente que era homossexual. Ele chegou a acusar o então técnico da seleção brasileira, Radamés Lattari, de não tê-lo convocado para disputar os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, apenas por preconceito. Na época, Lilico era um dos destaques da Superliga, e ameaçou até abandonar a carreira. Recuou, no entanto, e foi duas vezes campeão. Os órgãos do jogador foram doados e seu corpo, cremado e as cinzas espalhadas no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, onde Lilico continuava praticando vôlei.



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2 comentários:

O Profeta disse...

Para que a terra não trema
Para que esta Ilha seja de boa guarida
Mil e muitas ave-marias
Para iluminar tanta alma perdida

Em meu peito bate a fé
Sou um caminhante de muda revolta
Olhos presos a este manto verde
Alma que se ergue e fica solta


Boa Páscoa



Mágico beijo

MP disse...

Mara:

Não sabia o nome dessa igreja(dos enforcados),mas sei a história.A avenida chamava-se Rua da Cruz Preta,na atual Pça João Mendes havia um pelourinho e os enforcamentos eram feitos na atual Estação Liberdade do Metrô,ao lado dessa igreja.Um dia um escravo demorou muito para morrer causando(eu acho)um certo arrependimento nos que assistiram a cena e então,para desencargo de consciência,fundaram essa igreja dos enforcados.Vou corrigir no texto.Obrigada,querida,pela observação.Eu morei no centro da cidade por duas vezes,mas não gosto do centro para morar,mas adoro dar um passeio e recordar da época que descia e subia a Martinho Prado e adjacências para "caçar" alguma moça.Bons tempos.Beijos.