frase do dia: ‘a homofobia é mais uma constatação da perda da ternura no mundo, ser
preconceituoso com os LGBTs é retroceder; além de prejudicar o crescimento humano.’

(letícia spiller - atriz brasileira)

última atualização: 19/08/2009 20:36:42

sábado, 6 de junho de 2009

homenagem a uma lésbica: jeanette winterson

jeanette winterson

Jeanette Winterson é poesia em prosa. E talento. E arrojo. E pós-modernismo. E uma das mais importantes escritoras da atualidade. Jeanette Winterson é inglesa, nascida em Manchester, em 1959, foi adotada e criada por pais pentecostais bastante religiosos na vizinha cidade de Accrington, no seio de uma família humilde e sem grande instrução, onde a leitura e os estudos eram considerados supérfluos. A leitura não era bem vista em seu lar, a menos que se tratasse da leitura da bíblia. Seus pais queriam que ela fosse missionária, mas Jeanette Winterson conseguiu inscrever-se numa escola para meninas tendo acabado por sair de casa aos 16 anos, quando se apaixonou por uma garota. Teve que trabalhar em várias cidades e em várias áreas para se sustentar e mais tarde estudou letras na Universidade de Oxford.

Publicou a sua primeira obra, o romance ‘Oranges Are Not the Only Fruit’ em 1985, com 24 anos, e a partir de ‘The Passion’ dedicou-se exclusivamente à literatura em 1987. Algumas das suas obras foram adaptadas para a televisão e o teatro. Em 2006, Jeanette Winterson foi agraciada com a comenda da ‘Order of the British Empire’ por serviços prestados à literatura inglesa. Entretanto, recebeu vários prêmios, ingleses e internacionais, entre os quais o ‘Whitbread Prize’, do Reino Unido, e o ‘Prix d'Argent’, do Festival de Cinema de Cannes. Escreve regularmente em vários jornais ingleses, sobretudo no ‘The Times’ e no ‘The Guardian’.

Written in the body - Jeanette WintersonA obra ‘Inscrito no Corpo’ (Written in the body) é uma intensa elegia àquela paixão que em minuto algum pode se dissociar de sua origem física, carnal, sangüínea, humana e, portanto, de intensidade trágica. Com independência e ousadia Jeanette Winterson mergulha na radicalidade daqueles que vivem em busca do amor ardente e trágico, daqueles que amam com as vísceras, com a carne, com cada centímetro do corpo. É um culto à anatomia da mulher amada, do cheiro, da forma e da cor de cada poro desta mulher, aqui uma mulher casada que não sente nada dessas coisas pelo marido, mas sim pelo amante. O narrador vive a brutalidade das ausências e viaja sempre para este território adorado e perdido: o corpo que lhe desencadeia todos os sentidos de vida e de morte. A prosa erudita de Jeanette Winterson torna-se ainda mais afiada e irônica ao negar ao narrador, ápice do triângulo torrencial, um gênero sexual. Embora o objeto de seu amor seja a mulher casada e especialmente o corpo desta mulher casada, ele por vezes é um homem, por outras é uma mulher e chega a ser ainda um amante de condição sexual indefinida, porém intensa. É um ser humano que se corrói fisicamente com a perda do outro corpo, tão incondicionalmente desejado.

Trecho do livro
'Ela cheira a mar. Ela cheira como as piscinas nas rochas à beira-mar de quando eu era criança. Ela guarda uma estrela-do-mar lá dentro. Eu me curvei para saborear o sal. Para escorregar meus dedos pela orla. Ela se abre e fecha como anêmona-do-mar. Todos os dias ela se enche de marés frescas de anelo.'

4 comentários:

¿ llola disse...

oimeu amor que bom que curtio o presente olha meu blog tem proteção sim é so vc selecionar o html com o mause assim puxa e depois ctrl+c copia com o teclado ta bom!!
xeros bom final de semna minha linda fui... qualquer coisa me passa que envio pra seu email fui..

ɐlıɯɐɔ disse...

dorei, queria eu ler este livro..
ah e fico mto grata em saber disso. bjks volte sempre que puder..bjks

Mih disse...

'Ela cheira a mar. Ela cheira como as piscinas nas rochas à beira-mar de quando eu era criança. Ela guarda uma estrela-do-mar lá dentro. Eu me curvei para saborear o sal. Para escorregar meus dedos pela orla. Ela se abre e fecha como anêmona-do-mar. Todos os dias ela se enche de marés frescas de anelo.'

LINDO !
E está sendo ótimo suspirar minha solidão por agora .

Laila Braga disse...

Já ouvi falar sobre ela... mas ainda não tive a oportunidade de ler nada da sua obra...